quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Passatempo Leya: "A Persistência da Memória" de Daniel Oliveira



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Novidade Porto Editora: "O Jogo de Ripper" de Isabel Allende


Nº de páginas: 400
PVP: 18,80 €

A 21 de fevereiro, chega às livrarias portuguesas O Jogo de Ripper, o novo e muitíssimo aguardado romance de Isabel Allende. A chilena é uma das escritoras mais populares do mundo, tendo já ultrapassado os 60 milhões de livros vendidos.

Autora de êxitos incontornáveis, como A casa dos espíritos, Eva Luna e Paula, Isabel Allende oferece aos leitores o primeiro policial da carreira. O sucessor de O Caderno de Maya é um romance surpreendente, narrado com a prosa única que deu fama a Isabel Allende.

Sinopse
«Indiana e Amanda Jackson sempre se apoiaram uma à outra. No entanto, mãe e filha não poderiam ser mais diferentes. Indiana, uma bela terapeuta holística, valoriza a bondade e a liberdade de espírito. Há muito divorciada do pai de Amanda, resiste a comprometer-se em definitivo com qualquer um dos homens que a deseja: Alan, membro de uma família da elite de São Francisco, e Ryan, um enigmático ex-navy seal marcado pelos horrores da guerra.
Enquanto a mãe vê sempre o melhor nas pessoas, Amanda sente-se fascinada pelo lado obscuro da natureza humana. Brilhante e introvertida, a jovem é uma investigadora nata, viciada em livros policiais e em Ripper, um jogo de mistério online em que ela participa com outros adolescentes espalhados pelo mundo e com o avô, com quem mantém uma relação de estreita cumplicidade. Quando uma série de crimes ocorre em São Francisco, os membros de Ripper encontram terreno para saírem das investigações virtuais, descobrindo, bem antes da polícia, a existência de uma ligação entre os crimes. No momento em que Indiana desaparece, o caso torna-se pessoal, e Amanda tentará deslindar o mistério antes que seja demasiado tarde.»

Primeiras páginas disponíveis aqui.

A autora
Isabel Allende nasceu em 1942 no Peru. Viveu no Chile entre 1945 e 1975, com largos períodos de residência noutros locais, na Venezuela até 1988 e, desde então, na Califórnia.
Começou por trabalhar como jornalista, no Chile e na Venezuela. Em 1982, o seu primeiro romance, A casa dos espíritos, converteu-se num dos títulos míticos da literatura latino-americana. Seguiram-se muitos outros, todos eles êxitos internacionais. A sua obra está traduzida em trinta e cinco línguas. 
Em 2010, foi galardoada com o Prémio Nacional de Literatura do Chile.
Mais informações em:
www.isabelallende.com e www.facebook.com/isabelallende

Da mesma autora na Porto Editora:

        

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

As Brumas de Avalon - A Rainha Suprema


Título original: The Mists of Avalon - The High Queen
Autora: Marion Zimmer Bradley
Nº de páginas: 288
Editora: Saída de Emergência
Colecção: Bang!

Sinopse
«A misteriosa Morgaine é meia-irmã de Artur e grã-sacerdotisa da brumosa Avalon, terra encantada onde o verdadeiro conhecimento é preservado para os vindouros. Para Morgaine existe um objetivo fundamental: afastar a Bretanha da nova religião que vê a mulher como portadora do pecado original. A bela rainha Gwenhwyfar jurou fidelidade ao rei Artur, o Rei Supremo, mas não consegue esquecer a paixão que sente por Lancelot, exímio cavaleiro e melhor amigo de Artur. Quando o seu dever de concebe um herdeiro para o trono falha, Gwenhwyfar convence-se de que é vítima de um castigo divino e entrega-se de corpo e alma à religião de Cristo. As hostilidades aumentam inevitavelmente entre ambas as mulheres que detém o poder em Avalon e Camelot. Conseguirá Artur conciliar dois mundos antagonistas sob os estandartes reais e resistir aos Saxões? Se Morgaine tudo fará para proteger a sua herança matriarcal e desafiar a nova religião que cresce, já Gwenhwyfar não hesitará em persuadir Artur a trair os seus juramentos…»

Opinião
Tendo terminado o volume anterior no místico cenário das ilhas de Avalon, com Morgaine no plano principal, a segunda parte desta história inicia-se também com a fascinante sacerdotisa, contudo em terrenos distantes das suas familiares terras brumosas. Depois da decisão determinada por Morgaine, o mundo em que os Druidas caminham e a antiga feitiçaria governa encontra-se num impasse fatal. Com esta grande incerteza tinha-se formado uma poderosa deixa para A Rainha Suprema, no qual aguardava saber com entusiasmo o efeitos daquilo que se sucedeu em A Senhora da Magia. Apesar de não desiludir, neste capítulo da saga pouco acontece e muito pouco se revela da situação de Avalon. Tal facto deve-se à preponderância em focar a história noutro ambiente menos mágico e muito mais realista.

Arthur cresceu e é agora o Rei Supremo da Bretanha. O livro centra-se nesta ideia para nos relatar o passado deste país, envolvendo as lutas por território há muito travadas e a supremacia de um jovem lendário que tentou unir o seu povo e unificá-lo. Assim, consegue-se um enredo mais bélico, estratégico e, acima de tudo, preenchido de intrigas. Intrigas que brotam da necessidade de alcançar o poder, um anseio comum a todas as personagens que se cruzam nesta narrativa. No entanto, o propósito de um é tão certo como o propósito do outro, de tal modo que é difícil decidir por quem torcer quando os argumentos sustentados por cada um são, no mínimo, fortes. Ainda assim, a racionalidade sobrepõe-se à incongruência. No fim, torna-se evidente quem devemos enaltecer pela sua mentalidade expandida da realidade física e espiritual da humanidade.

Aqui, o combate entre religiões ganha maior destaque. É algo que percorre toda a obra e justifica a sensação de uma batalha explodir a qualquer momento. Numa Bretanha dividida entre o Paganismo e o Cristianismo, é evidente que a coexistência das duas não é desejável pelo menos por uma das partes. Criticam-se os paradigmas de ambas, por vezes porque se vislumbra algo de errado nelas ou, no caso do Cristianismo, apenas porque existe uma intolerância à presença de outra religião cujas crenças são inaceitáveis.

Nesta luta há quem seja mais persistente e acabe por triunfar, nomeadamente Gwenhwyfar, mulher de Arthur e Rainha Suprema. Ao começar com uma inocência e fraqueza evidentes, Gwenhwyfar passa de uma doce menina para uma mulher que combate com avidez pelos seus princípios. Nota-se que a sua inocência contribui muito para a sua mentalidade. O desconhecimento de um mundo que lhe é alheio e que evita conhecer torna-a uma pessoa enclausurada nos seus pensamentos, cingida ao que lhe foi ensinado como uma verdade absoluta e imperturbável. Contudo, a sua obstinação é fulminante e inflexível, pelo que de tudo será capaz para pôr em prática os seus planos. A persuasão é a sua melhor arma, eficaz para todos os efeitos. Ainda assim, a Rainha Suprema não se consegue apartar da sua personalidade emotiva, o que lhe causa algum sofrimento indesejável. Já o Rei Supremo, Arthur, é um homem com espírito jovem lutador, pronto a defender os seus perante qualquer ameaça. Arthur é muito compassível, uma alma pura que gosta de honrar quem luta pela sua causa. Aliás, por ser tão compassível, Arthur é obrigado a incutir a si mesmo uma decisão que lhe poderá custar a paz do seu reino e comprometer a lealdade de um dos seus povos. Ao lado de Arthur surge Lancelet, seu primo, um companheiro extremamente dedicado e carinhoso que, inevitavelmente, é adorado por todos, incluindo as mulheres. Deste modo, é a causa de amores improváveis e impossíveis que o deixam impotente, provocando-lhe um extremo sofrimento. Uma vez que a história se centra na corte de Arthur, conhecem-se outras personalidades cativantes, entre as quais outros reis menores, cavaleiros e damas de corte. Quanto à maravilhosa Morgaine, existe neste livro uma ausência enorme, tendo em conta a sua influência no primeiro livro. O misticismo de Avalon que antes fascinava perde-se, recuperando-se apenas nos momentos em que Morgaine reaparece. Porém, Morgaine consegue sempre marcar a sua presença, seja por esse mesmo misticismo que lhe é inerente, seja pela mulher astuta, consciente e poderosa que é.

E, mais uma vez, retoma-se a importância da mulher enquanto ser capaz de influenciar o mundo e exercer poder numa sociedade governada pelos homens. Antes foi um pensamento divulgado através da voz activa Morgaine, agora é a própria Gwenhwyfar que almeja algo mais que a simples condição de esposa do Rei, embora não tenha coragem para partilhar abertamente esse desejo. Gera-se uma revolta no seu âmago por não poder exprimir a vontade de igualar o masculino ao feminino, no que toca à capacidade de decidir e de agir perante um povo que subestima a mulher, reduzindo-a a uma mera máquina reprodutora que permite deixar descendência. As palavras de Igraine ilustram esta sentida insignificância: Todas as lágrimas que as mulheres derramam nunca deixam marcas no mundo.

Um pormenor interessante é que, neste livro, não existe maior relevância em nenhuma personagem. Embora Gwenhwyfar ocupe grande parte de A Rainha Suprema, não é possível afirmar que exista uma ou duas personagens principais, ao contrário do que acontecia em A Senhora da Magia, onde Morgaine assumia, maioritariamente, a liderança dos acontecimentos. Entre Gwenhwyfar, Arthur, Igraine, Morgaine e por vezes Viviane, a história distribui-se equitativamente de maneira a que o enredo abranja todos eles.

É, no entanto, óbvio que não se desenvolve muito do enredo. Havendo alguns acontecimentos de certa importância e outros que captam inevitavelmente a atenção, o ritmo da escrita é moroso e acaba por não prender tanto o leitor. Ainda assim, Marion Zimmer Bradley continua com uma arte impressionante de escolher as palavras certas quando elas mais fazem sentido, apelando continuamente à emoção, tornando este livro algo verdadeiramente humano.

Para uma continuação, A Rainha Suprema consegue cumprir a sua finalidade. Não oferecendo nenhum episódio épico, introduz novas personagens bem sustentadas e deixa espaço para que o enredo cresça nos próximos capítulos. É evidente, com este volume, que esta saga se tornou algo mais que uma grande história de fantasia. Envolvendo questões políticas, religiosas e humanas, As Brumas de Avalon tem potencial para se tornar numa obra literária de referência, indicada para qualquer tipo de leitor. De facto, é com esta convicção que aguardo o próximo volume. Estou certo que, tal como este, também não irá desiludir.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Novidade Quinta Essência: "No Limiar do Desejo" de Eve Berlin


Nº de páginas: 260

Sinopse
«Enquanto advogada, Kara Crawford sabe guardar segredos, especialmente depois de um ex-namorado a rejeitar após ela lhe confessar os seus desejos sexuais mais ocultos. Kara já desistiu de encontrar alguém capaz satisfazê-la na intimidade (o seu gosto por BDSM), até que passa uma das noites mais maravilhosas da sua vida com alguém que sempre admirara de longe. O dominador sexual Dante de Matteo conheceu Kara no secundário mas nunca imaginou que as suas fantasias sexuais coincidissem plenamente com as dela. Os dois amantes não esperam que aquilo vá para além de uma noite, mas quando Dante começa a trabalhar no mesmo escritório que Kara, têm de lidar diariamente com a química sexual entre ambos. Enquanto um profundo desejo os aproxima, o medo pode acabar por separá- los para sempre, a não ser que aprendam a lidar com a dor e o prazer do amor.»

A autora
Eve Berlin é o pseudónimo de Eden Bradley, autora cuja obra foi considerada «elegante, inteligente e sensual» e nomeada para diversos prémios. As suas obras escritas como Eve e como Eden foram já traduzidas para várias línguas. De Olhos Fechados, foi vencedor do Holt Medallion Award para Melhor Romance Sensual de 2010.

Em Chamas


Título original: Catching Fire
Autora: Suzanne Collins
Nº de páginas: 280
Editora: Editorial Presença
Colecção: Via Láctea

Sinopse
«Pela primeira vez, em Panem, dois adversários conseguem o que até aí era considerado impossível: sobrevivem juntos aos terríveis Jogos da Fome. Mas o estratagema de Katniss Everdeen e Petta Mellark, para não terem de escolher entre matar ou morrer, semeia o fogo da revolta entre os oprimidos. Snow, o cruel presidente de Panem, apercebe-se do perigo que aquele feito encerra e engendra um plano para acabar de vez com a rapariga que simboliza a rebelião. O Capitólio fará o que for preciso para acabar com qualquer intenção de derrubar o seu poder...»

Opinião
Depois da terrível prova de sangue a que foram submetidos, Katniss e Petta pensam estar finalmente em segurança no familiar Distrito 12 a que podem chamar de lar. Ainda assim, algo inesperado e um quanto alarmante coloca Katniss numa posição vulnerável. A sua mente torna-se uma espiral incontrolável de dúvidas, preocupações e receios. Afinal, tanto ela como os que a rodeiam poderão estar sob a mira das garras do Capitólio, que a todo o custo pretende atingir o seu claro objectivo: submeter eternamente a raça humana ao seu poder. Nesta inquietação constrói-se o início de Em Chamas, o segundo volume desta trilogia que continua com uma narrativa sólida, abastada de fortes emoções e surpresas extraordinárias.

Começando por referir o enredo, é de destacar que este se encontra muito bem concebido. Nota-se que foi planeado ao mais ínfimo detalhe de modo a não haver pontos por resolver e no fim tudo encaixar devidamente. Coerente com a história que nos foi apresentada em Os Jogos da Fome, neste volume a ideia de Panem e dos seus múltiplos distritos é alargada e o próprio leitor experiência as vivências de cada um deles, cruzando-se com as diversas personalidades e mentalidades únicas à sua maneira. As realidades são bastante diferentes umas das outras, porém não há como negar que existe um pensamento generalizado a todos os habitantes de todos os distritos. Mais que uma ideia, um ímpeto de agir, de finalmente fazer ouvir as suas vozes emudecidas pelo poder do Capitólio, tão cansadas e sofridas pela impotência que há anos as mantém na penumbra. Esta força expande-se ao longo do livro, pouco a pouco, mesmo que tal não pareça. É no fim que se revela a dimensão desta força e o leitor fica completamente arrebatado, como se tivesse sido iludido até ao momento em que se esclarece a verdadeira natureza dos acontecimentos, sensação esta que é naturalmente comum à narradora da história, Katniss Everdeen. Assim, sentimos que a autora elaborou um jogo também para nós e não só para as suas personagens, conduzindo-nos no encalço que pretende ao mesmo tempo que traça pistas que esconde delicadamente, sem darmos por isso. Mas elas estão lá. Basta segui-las com uma perspicácia atenta.

No que toca às personagens, há adições interessantes. É-nos apresentado, de forma breve, o novo produtor de Jogos, Plutarch Heavensbee. Apesar do que tudo indica, Plutarch é algo mais do que a faceta que mostra perante o Capitólio, desempenhando um papel fundamental para o funcionamento da obra. De seguida conhecemos o charmoso e forte Finnick Odair, a implacável e perversa Johanna Mason e ainda o brilhante Beetee, três figuras chave que conferem simultaneamente momentos de tensão e descontracção. É, no entanto, em Katniss que se sente o maior impacto. Se antes já era uma adolescente bastante madura para a sua idade, aqui Katniss cresce ainda mais, evidenciando ser uma pessoa preenchida de coragem, disposta a qualquer sacrifício para sobrepor as necessidades de quem ama acima das suas. Nessa sua obstinação revela-se uma Katniss revoltada, mas acima de tudo sedenta de vingar quem lhe é próximo e que, de alguma forma, foi magoado. É este o seu mote, e nele estão presentes os seus instintos que acabam por enganá-la, bem como enganam quem lê. Da mesma índole lutadora, mas muito mais sentimentalista, é o único e amável Petta. Também ele sofre com a situação que se engrenou como uma bolha consistente à sua volta, mais que Katniss, estando consciente de que não existirá o futuro que tanto desejou. Já não existem dúvidas quanto a Peeta, que é agora alguém completamente credível com intenções definidas, mesmo por entre todo o aparato que a sua inteligência é capaz de criar para ludibriar a multidão que assiste às suas acções. Finalmente, a relação entre Katniss e Peeta parece tomar um rumo concreto. Apesar dos entraves iniciais, a proximidade entre os dois é inevitável, deixando se ser apenas um artifício satisfatório para passar a ser algo substancial, verdadeiro e irrefutável. Ainda assim, é pouco o tempo para o saborear. Por fim, é agradável ter mais uma vez a presença de Haymitch como uma voz da razão fortemente demarcada quando sóbria. Revela-se algo mais da sua história, um facto importante que o assemelha inevitavelmente a Katniss. Mais do que nunca, Haymitch torna-se fulcral na sobrevivência dos seus tributos, reservando para si uma missão muito especial.

Da imaginação de Suzanne Collins saem coisas maravilhosas, como já foi possível testemunhar no primeiro livro. O engenho construído em Em Chamas eclipsa o que até aqui nos foi presenteado, provando que a autora não só é excelente a criar cenários de caos embelezados com pormenores fascinantes como também a estabelecer uma narrativa que não se priva de surpresas incandescentes.

Com efeito, é óbvio que esta é uma leitura frenética, devastadoramente aliciante em toda a sua extensão. Não existem momentos insípidos. Em cada capítulo há algo de novo a revelar, seja novos acontecimentos ou reviravoltas nas personagens. Notoriamente, a última metade das páginas é um prazeroso elixir de adrenalina imparável, culminando em algo totalmente imprevisível que, contudo, tem em si matéria mais que suficiente para desenvolver uma sequela.

Em Chamas foi, convictamente, uma experiência avassaladora. Apelando à vertente emocional das suas personagens e, ao mesmo tempo, embutindo nelas a crueldade humana na sua forma mais sádica, Collins evolui de um tema interessante para uma história ímpar, com o poder de causar a reflexão sobre a vida e a morte e tudo aquilo que acontece entre ambas - o que não é mais que um percurso, ainda assim um percurso extremamente valioso. A vontade de lutar por aqueles que se ama é aquilo que toma maior grandeza, juntamente com o propósito de fazer sobressair os valores em que se acredita. Estas são duas forças enormes com um poder colossal para permitir a mudança há tanto aguardada. A faísca ateou o início da revolução. E bastou. Pois o fogo não tardará em despoletar.