segunda-feira, 28 de julho de 2014

As Brumas de Avalon - O Rei Veado


Título original: The Mists of Avalon - The King Stag
Autora: Marion Zimmer Bradley
Nº de páginas: 272
Editora: Saída de Emergência
Colecção: Bang!

Sinopse
«Nos anos que se seguem à coroação do rei Artur, a rainha Gwenhwyfar continua as suas manipulações para assegurar a lealdade do seu marido à igreja cristã, enquanto a sacerdotisa Viviene decide confrontar Artur pelo ato de traição contra Avalon. 
Nos bastidores, Morgaine planeia o casamento de Lancelet, que ameaça sucumbir ao desespero pelo triângulo amoroso em que se vê enredado. Quando a rainha Gwenhwyfar descobre esse plano, jura vingança. Morgaine, através do seu próprio casamento, dedica-se a fortalecer a causa de Avalon. As sacerdotisas da Ilha das Brumas tudo farão para competir pela alma da Grã-Bretanha contra a maré insurgente da Cristandade. Mas que efeitos terá a chegada do jovem Gwydion, filho de Morgaine e Artur? Irá correr em auxílio do rei ou libertar o caos?»

Opinião
O fanatismo pela religião, mais precisamente a obsessão de Gwenhwyfar pelo seu Cristo, dominou o enredo do volume anterior, A Rainha Suprema, com resultados potencialmente fatais para Avalon. Desta fé gerava-se um fogo capaz de apagar quaisquer vestígios do mundo envolto em brumas, condenando-o à insignificância e esquecimento. Contudo, se o movimento cristão pensava que Avalon assumiria de livre vontade a resignação à sua vontade ao mesmo tempo que assistiria à degradação do que outrora fora a fonte de Vida do mundo, perdendo para sempre o poder da Deusa sobre a humanidade, então a verdade não poderia ser mais contraditória. Avalon ergue-se das brumas e em secretismo forja planos grandiosos, implacáveis como nunca antes ousara pôr em prática.

Esta terceira parte de As Brumas de Avalon vem atestar que a história construída por Marion Zimmer Bradley não é apenas um mero acaso da literatura fantástica. O potencial que os anteriores volumes sugeriam é aqui completamente sustentado por uma obra minuciosamente trabalhada quer a nível de enredo, quer a nível literário. Em O Rei Veado, exploram-se todas as possibilidades de sucesso e derrota das suas personagens e em como isso modificaria não só a realidade da Bretanha, mas essencialmente a realidade da vida humana.

O conflito entre religiões toma uma nova dimensão, portanto, quase transformando-se num conflito político. Embora ainda não tenha começado a grande guerra entre Pagãos e Cristãos, os preparativos estão quase concluídos à medida que as estratégias são delineadas sem deixar susceptibilidades que possam apontar ao fracasso. Percebe-se que Avalon está determinada a alcançar os seus objectivos. Depois da traição inesperada que deitou por terra o que estava quase cumprido, desta vez não vacilará perante nenhum obstáculo. O que está em jogo é mais que poder de governar, pois o que significa controlar e subjugar multidões quando não há capacidade para transmitir o verdadeiro conhecimento, o intocável e ancestral ideal que sacerdotisas e druidas veneraram durante eras de modo a unir irrevogavelmente o homem e mulher aos Deuses, numa relação sincera de entrega total, tão bela quanto a natureza?

Morgaine volta a estar comprometida nesta tarefa, depois de se ter afastado das suas origens e ter atendido de perto as vontades da corte em Camelot. Com a sua revolta apaziguada pela necessidade que lhe se impõe, Morgaine regressa aos poucos ao que outrora fora e atinge uma maturidade incrível. Ainda assim, Morgaine está sempre assolada por dúvidas e incertezas que o próprio leitor consegue identificar como as suas. Deste modo, Morgaine é a personagem mais racional de todas, a primeira que confronta o facto de que já não existe um bem por que lutar e um mal por combater. Existem interesses, cada um justificado pelos meios a que se recorre para o atingir. Apesar de já admirar Morgaine, por esta razão tornou-se a minha personagem favorita. Foi bom recordar que, por detrás da sacerdotisa, existe uma mulher bem intencionada que pretende acima de tudo fazer prevalecer os valores mais importantes naqueles que estão corrompidos pela cegueira de poder. Se, por um lado, há o privilégio de estar novamente a seguir Morgaine, por outro surge uma grande perda de uma figura enigmática que conferia a esmagadora parte do misticismo desta obra. É devido a essa personagem que a Bretanha se moveu e avançou para um reino pacífico, que agora é posto em causa. A falta desta figura é sentida, e as suas repercussões numa outra personagem são evidentes. Não obstante, não fosse este acontecimento, por ventura tudo teria sido diferente. Também Gwenhwyfar continua a ter destaque, juntamente com Arthur, mas quanto a estes não se notam modificações. A rainha continua com a sua inquebrável fidelidade à religião e nada do que acontece consegue alterar a sua opinião, nem mesmo um episódio que transtorna profundamente o seu âmago. O que é certo é que tendo o poder da palavra perante o rei, consegue influenciá-lo e triunfar a sua vontade como anteriormente fizera. Ainda assim, é notável algum carácter por parte de Arthur que, ocasionalmente, reflecte sobre a sua vida e o seu papel enquanto Rei Supremo.

Esta volta a ser uma obra de mulheres, apesar de todas as referências bélicas que se interpõem e de certas ocasiões em que é evidente a influência do masculino sobre o feminino. De facto, quem se senta no trono é Arthur e é ele quem comanda as suas legiões. Contudo, quem tem o verdadeiro poder de acção e quem faz melhor uso da sua inteligência são aquelas que sabem que são escutadas ou que, aparentando estar sob o comando do homem, na verdade usam essa máscara para o desafiar e, no fim, conseguir vencer. Perante esta implacabilidade a autora consegue, ainda assim, fazer sobressair a sensibilidade que emana de uma alma feminina ao evidenciar a forma como a mulher encara e entende o mundo à sua volta.

Outras temáticas surgem com o adensar das relações entre as personagens, sendo a principal novidade a homossexualidade. O que é impressionante é que esta não é encarada como uma condição controversa ou ignóbil, mas antes um motivo de conflito interior por representar um entrave à total entrega sentimental. Por outras palavras, Bradley põe no mesmo patamar homossexualidade e heterossexualidade como sendo duas opções completamente viáveis desde que sustentem a existência de um verdadeiro amor - o que, no século passado, altura em que esta obra foi dada a conhecer, seria algo impensável. Além disso, este livro está repleto de questões que incidem na condição humana e nos seus valores, como o poder da decisão e as implicações do livre arbítrio, o sacrifício pessoal por uma causa em que se acredita ou ainda a virtude inexplicável dos laços sentimentais em detrimento da importância dos laços de sangue.

A nível da narração, Bradley conseguiu, com breves e encantadoras descrições, suceder acontecimento após acontecimento a um bom ritmo que se manteve constante. É, até agora, a parte de As Brumas de Avalon em que mais e maiores eventos tomam lugar. O foco da narrativa salta entre vários cenários, não se focando apenas em Camelot ou Avalon, dando a conhecer outros locais e personagens. Não é de admirar que se chegue às últimas páginas sem se dar por isso.

Com a intensidade e profundidade que O Rei Veado nos enreda, despoleta-se uma vontade imensa de seguir para a próxima e última parte desta extraordinária e aliciante história. Prevê-se um fim épico, de proporções estrondosas para a trama e respectivas personagens. Seja isso o que, efectivamente, acontecerá ou não, As Brumas de Avalon já é uma obra de culto que vale a pena conhecer por todos aqueles que gostem de uma história bem fundamentada, dotada de elementos únicos e de um toque pessoal de uma autora que não se impede de surpreender o seu leitor. 

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Novidade ASA: "Pecadora" de Madeline Hunter


Nº de páginas: 328 
PVP: 16,90€
Lançamento: 5 de Agosto

Sinopse
«Habituada a uma existência pacata, Celia Pennifold vê a sua vida virada do avesso após a morte da mãe, Alessandra Northrope, uma cortesã afamada. Para além de uma pequena casa, a mãe deixou-lhe de herança apenas dívidas e uma reputação manchada. O destino de Celia já está traçado há muito. Ela foi educada para seguir as pisadas da mãe. Mas Celia é determinada e tem os seus próprios planos… que não incluem, evidentemente, o misterioso inquilino com que se depara ao instalar-se no seu novo lar.
Jonathan Albrighton encontra-se numa missão a mando do tio, pois há suspeitas de que Alessandra possuía informações delicadas sobre alguns dos homens mais influentes da sociedade londrina. Jonathan pensava estar perante uma tarefa simples, não contava encontrar em Celia uma adversária à sua altura…»

A autora 
Madeline Hunter publicou o seu primeiro romance em 2000. Já foi por duas vezes galardoada com o prémio RITA, da Romance Writers of America. Os seus livros figuram na lista dos mais vendidos do New York Times e USA Today e é uma das autoras favoritas da publicação Romantic Times. As suas obras encontram-se traduzidas para doze línguas, tendo vendido mais de seis milhões de exemplares. Para além de Provocadora, no catálogo da ASA figuram já os seus romances Deslumbrante, As Regras da Sedução, Lições de Desejo, Jogos de Sedução, Os Pecados de Lord Easterbrook, Casamento de Conveniência, O Protector, Mil Noites de Paixão e O Sedutor. Doutorada em História de Arte, é professora académica e vive nos Estados Unidos.

domingo, 20 de julho de 2014

Novidade Quinta Essência: "Proposta Indecente» de Patricia Cabot


Nº de páginas: 360
Género: Ficção Estrangeira
PVP: 16,60€

Uma aventura apaixonada nas Baamas 

Sinopse 
«Aventureira, franca, Payton Dixon tem dois sonhos na vida: possuir um veleiro e obter o amor do capitão Connor Drake. Mas ambos parecem fora do seu alcance, uma vez que seu o amado capitão está prestes a casar com outra, e pior, o traidor do pai de Payton ofereceu-lhe o barco dela como prenda de casamento. 
Decidida a provar que está certa, Payton consegue desencadear um escândalo e causar todos os tipos de problemas. Quanto a Drake, não é capaz de decidir se quer estrangular a rapariga com quem cresceu, ou fazer amor com a bela mulher em que ela se transformou.»

A crítica
«Patricia Cabot povoa a sua aventura no alto mar com personagens memoráveis e um cenário cuidadosamente pormenorizado. Os leitores vão sentir a brisa do mar e os beijos apaixonados entre Payton e Drake. Um livro diferente, divertido e encantador. É uma verdadeira alegria para ouvir a voz única de Patricia Cabot.» - RT Book Reviews

A autora
Meggin Patricia Cabot, autora bestseller de romances históricos, nasceu em fevereiro de 1967, em Bloomington, Indiana (EUA). Trabalhou como gestora numa residência universitária, foi ilustradora freelance e escreveu mais de cinquenta livros que assinou com diferentes pseudónimos. Entre eles destaca-se a série O Diário da Princesa (The Princess Diaries), publicada em mais de trinta países e adaptada ao cinema pela Walt Disney Pictures, com grandes êxitos de bilheteira. As suas obras ganharam inúmeros prémios, incluindo o New York Public Library Books for Teen Age, o Booksense Pick, o Evergreen, o IRA/CBC Young Adult Choice, entre outros.

Da mesma autora
 

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Novidade ASA: "Para Sir Phillip Com Amor" de Julia Quinn


Nº de páginas: 336
PVP: 16,90€

Sinopse
«Sir Phillip sabia que Eloise Bridgerton tinha já 28 anos e era, pois claro, uma solteirona. Foi por isso mesmo que pediu a sua mão em casamento. Sir Phillip partiu do princípio de que Eloise estaria desesperada por casar e não seria exigente ou caprichosa.
Só que… estava enganado. No dia em que ela lhe aparece à porta, torna-se óbvio que é tudo menos modesta e recatada.
E quando Eloise finalmente para de falar, ele percebe, rendido, que o que mais deseja é… beijá-la.
É que, quando recebeu a tão inesperada proposta, Eloise ficou perplexa. Afinal, nem sequer se conheciam pessoalmente. Mas depois… o seu coração levou a melhor e quando dá por si está numa carruagem alugada, rumo àquele que pensa poder ser o homem dos seus sonhos. Só que… estava enganada. Embora Sir Phillip seja atraente, é certo, é também um bruto, um rude e temperamental bruto, o oposto dos gentis cavalheiros que a cortejam em Londres.
Mas quando ele sorri… e quando a beija… o resto do mundo evapora-se e Eloise não consegue evitar a pergunta: será que este pesadelo de homem é, afinal, o homem dos seus sonhos?»

A autora
Julia Quinn começou a escrever e, para alegria dos seus inúmeros fãs em todo o mundo, nunca mais parou. Traduzidos para 26 línguas, todos os seus romances integram de imediato a lista de bestsellers do New York Times, com especial destaque para a Série Bridgerton, da qual a ASA já publicou Crónica de Paixões & Caprichos, Peripécias do Coração e Amor & Enganos. A Grande Revelação é o 4º volume da história desta inesquecível família. A autora venceu já 2 prémios Romantic Times e três Prémios RITA da Romance Writers of America, tendo sido a mais jovem autora a entrar para o Hall of Fame dessa associação.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Vida Roubada


Título original: The Orphan Master's Son
Autor: Adam Johnson
Nº de páginas: 480
Editora: Saída de Emergência

Sinopse
«Jun Do é o filho atormentado de uma cantora misteriosa e de um pai dominante que gere um orfanato. É nesse orfanato que tem as suas primeiras experiências de poder, escolhendo os órfãos que comem primeiro e os que são enviados para trabalhos forçados. Reconhecido pela sua lealdade, Jun Do inicia a ascensão na hierarquia do Estado e envereda por uma estrada da qual não terá retorno. Considerando-se “um cidadão humilde da maior nação do mundo”, Jun Do torna-se raptor profissional e terá de resistir à violência arbitrária dos seus líderes para poder sobreviver. Mas é então que, levado ao limite, ousa assumir o papel do maior rival do Querido Líder Kim Jong Il, numa tentativa de salvar a mulher que ama, a lendária atriz Sun Moon.
Em parte thriller, em parte história de amor, Vida Roubada é um retrato cruel de uma Coreia do Norte dominada pela fome, corrupção e violência. Mas onde, estranhamente, também encontramos beleza e amor.»

Opinião
E se, num súbito piscar de olhos, fossemos catapultados para uma outra dimensão da realidade terrena? O que faríamos? Como enfrentaríamos, munidos de um pensamento cingido à nossa própria vida comum, esse ideal de uma realidade previamente desconhecida? Com entusiasmo? Exaltação? Indiferença? Apreensão? Pavor? A verdade é que a solução para o problema que aqui é confrontado é simples: depende da realidade. O que é, contudo, necessário ter em conta, é o facto de que existem realidades que nem o mais versátil e insólito imaginário humano está preparado para conceber. E, no entanto, esse cenário é incrivelmente factual e ocorre apenas a alguns milhares de quilómetros de distância, no mesmo mundo partilhado por milhões de nossos iguais.

Vida Roubada é uma viagem que começa e acaba no outro lado do mundo, na conturbada nação da Coreia do Norte. É neste universo singular que encontramos o nosso protagonista. Pak Jun Do. Jun Do é um orfão por força das circunstâncias, irmão de órfãos e ele próprio guardador das vidas irrelevantes de órfãos. O seu nome advém de um mártir e a incrível coincidência é que ele próprio, sem se aperceber, torna-se um mártir da nação. Jun Do é desde cedo colocado em situações e locais improváveis, que lhe escapam ao controlo. É obrigado a enfrentar o seu destino à medida que lhe é sujeito -  um destino longe do ideal sonho pessoal que qualquer um anseia para si próprio, tendencioso para actos de violência e trabalhos extenuantes. Contudo, Jun Do aceita tudo isso sem questionar a sua vontade. Ainda assim, há algo de muito precioso que tira de cada vez que as circunstâncias o empurram numa nova direcção. Jun Do apreende o que a vida lhe dá, bom ou mau, e aprende com isso. Todas as lições e conhecimentos que obtém serão fundamentais para o ponto de viragem em que a pessoa se reduz a carne, e a carne novamente a pessoa. Nesta figura, Adam Johnson abrange a realidade de um povo inteiro que teve o infortúnio de nascer no local errado. Nela, emana a insignificância da identidade pessoal que é suprimida a todo o custo. No entanto, é levantada outra questão: será puramente pelo despeito pela individualidade que se homogeneíza uma civilização ou subsistirá um colossal medo que as elites secretamente detêm pelo poder que uma única voz activa pode ter no mundo? A concretização desta ideia acontece nesta obra. Jun Do consegue, ao contrário de todos os outros, evoluir, ter um papel decisivo no seu destino porque conhece, a certa altura da sua existência, o que significa ser livre. Não a liberdade que conhecemos como a mais estrondosa explosão de sentimentos que nos permite fazer qualquer coisa que nos apeteça. Apenas a liberdade de pensar e de decidir ser livre.

Enquanto retrato da "maior nação do mundo", Johnson revela que para o mero cidadão existe um conceito igualitário e minimalista na medida em que todos são um, e um são todos. A unidade é o líder, a figura reverendíssima de Kim Jong Il, esse motor da grandiosa Coreia do Norte. Todos os restantes são pequenas peças comandadas que contribuem para o grande movimento da máquina nacional, operacional graças ao patriotismo impregnado em cada indivíduo "claramente" orgulhoso das suas raízes. Não obstante, ao analisar o retrato no seu sentido vital - o humano - a orgulhosa máquina democrática é uma fábula não concretizada. Há, em seu lugar, uma rendição geral ao que é inevitavelmente incontrolável. Existe, somente, um poder absoluto de uma ditadura que exala uma perfeita resiliência resultante de uma combinação de extrema subjugação e de um bem arquitectado ludíbrio. O controlo é, efectivamente, feito de uma forma que não poderia ser mais eficaz. Sabe-se que isto é verdade quando nem é dado a conhecer à mente a palavra liberdade. A rendição é tal que o ócio nem parece ser um incómodo. A máquina move-se sempre no mesmo sentido, percorrendo sempre o mesmo caminho. Infalível, directa e assertiva. Na Coreia do Norte não se nasce. É-se feito. 

Mas até no país mais censurado e cruel existe, nos seus recônditos, fascínio e beleza. Prova disso é a mulher idolatrada pelo pequeno mundo coreano, Sun Moon, também ela adorada por Jun Do. Não sendo uma personagem com um carácter especialmente atractivo, é o seu simbolismo enquanto actriz nacional que conduz à admiração partilhada por todos. Os seus filmes patrióticos são uma suposta arma do grande líder, mas é numa pequena particularidade que o seu plano é ameaçado. Sun Moon condensa na sua representação todas as emoções que os restantes cidadãos não podem manisfestar - a espontaneidade, genuinidade e fulgor das sensações que brotam do interior são unicamente permitidas a esta mulher. Por isso, a sua actuação é, para os espectadores (e leitores) mais atentos, uma mensagem de esperança. Jun Do vê nela esse carácter de esplendor, resultando daí uma relação de interdependência que se adensa em algo profundo. Porém, surge uma ambiguidade de afinidade: poderá um grande amor entre duas pessoas ultrapassar um amor pela pátria ao ponto de sacrificar a paz e uma segurança garantida?

Este romance é escrito de forma pungente, como seria de esperar. A autenticidade que o perpassa não deixa espaço para eufemismos. Johnson escreve com o poder de surpreender magistralmente e tocar o seu leitor, sendo por vezes doentio. A verdade é que é, na mesma medida, um relato encantador e fascinante da vida, belo na sua essência. Há diálogos e passagens assombrosos e deliciosos, nos quais a leitura se suspende para uma reflexão momentânea. Outra beleza desta escrita é o modo como é feita a narração. Enquanto Jun Do se cinge à vida que lhe é atribuída, há uma coerência que as palavras seguem. No entanto, quando se dá a mudança na sua interioridade, deixa de haver uma sequência lógica, temporal ou espacial. A composição torna-se espontânea. Sentida. Como a vida. 

De notar que, apesar de ser um livro ficcional, estamos perante um tema verídico. Com efeito, é fundamental ler este livro consciente da realidade que nos é dada a conhecer e da realidade que é a nossa. Não adianta criticar, condenar ou sequer ridicularizar a acção e pensamento de gente que toda uma vida foi habituada a agir e a pensar de forma diferente da nossa. É, sim, fulcral confrontar o que de melhor e de pior existe entre as duas. Afinal, somos todos humanos, milhares de milhões de mentes herdadas geneticamente da mesma origem. Em que altura surgiu a falha que conduziu às diferenças massivas entre mentalidades? 

Inquestionavelmente um livro de impressionante qualidade, Vida Roubada é uma intensa experiência de como é viver e ser parte de um país extremamente constrangedor e manipulador. Exprime a força que a necessidade imprime na vida humana de tal modo que a leva por caminhos inesperados e potencialmente nocivos para que se consiga atingir os anseios mais profundos. Há poder verdadeiro neste livro, um toque abismal de humanidade, uma energia capaz de fazer mudar a nossa própria realidade. Adam Johnson é merecedor de todos os elogios que colocaram Vida Roubada no topo das obras contemporâneas de destaque. Só quem compreende o que é ser verdadeiramente humano poderia conceber uma obra tão sublime como esta. E, sem dúvida, Johnson consegui-o.

domingo, 13 de julho de 2014

Novidade Quinta Essência: "Uma Casa no Campo" de Elizabeth Adler


Género: Ficção Estrangeira
Nº de páginas: 376

Uma mulher recomeça a sua vida nas aldeias cor de mel do coração de Inglaterra

Sinopse
«Elizabeth Adler oferece-nos uma história emocionalmente poderosa acerca do relacionamento entre mãe e filha, dos segredos que partilham e dos que guardam para si próprias.
Issy, de quinze anos, e a mãe, recentemente divorciada, lutam por encontrar o seu caminho e o seu lugar na vida, sozinhas e em conjunto. Aos trinta e oito anos, com pouco dinheiro e a braços com todas as responsabilidades, Caroline tenta reconciliar-se com a nova situação em que se encontra. Ao decidir deixar para trás a desafogada vida que levava em Singapura (bem como o seu infiel marido e a amante de longa data), acaba a viver no pub de uma aldeia inglesa, trabalhando como chef para ganhar a vida, conhecendo as pessoas mais pitorescas da zona e fazendo amigos. Porém, Issy adora o pai e secretamente culpa a mãe pela reviravolta operada na sua vida.
Ao mesmo tempo que o sonho de Caroline de converter um velho celeiro num restaurante começa a tomar forma, a sua oportunidade de ser feliz é posta em causa por rumores de vingança e homicídio. Quando Issy, a meio caminho entre a adolescência e a idade adulta, começa a fazer algumas escolhas arriscadas, a situação complica-se ainda mais.
Uma Casa no Campo transborda de emoções que todas as mulheres reconhecerão. Mãe e filha lutam por um lugar no mundo e debatem-se aguerridamente com aqueles que desejam vê-las fracassar e perder todas as oportunidades de serem felizes. Amor e ódio, culpa e responsabilidade, traição e confiança misturam-se neste novo romance de Elizabeth Adler. Será impossível parar de lê-lo.»

A crítica
«Elizabeth... mistura na perfeição suspense e romance nesta história de traição e homicídio.»  - Publishers Weekly

A autora
Elizabeth Adler é britânica. Autora de mais de vinte romances, é reconhecida internacionalmente pelas suas histórias envolventes que combinam de forma magistral mistério, amor e destinos de sonho. Os seus livros estão publicados em vinte e cinco países, com mais de quatro milhões de exemplares vendidos em todo o mundo. Adler e o marido viveram em vários países até que fixaram residência em La Quinta, Califórnia, onde passam dias tranquilos na companhia dos seus dois gatos. Para mais informações, visite: www.elizabethadler.com

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Novidade Casa das Letras: "Na Sombra da Paixão" de J. R. Ward


Nº de páginas: 712
Preço: 21,90€
E-book: 15,99€


«O grupo de vampiros mais sensuais da ficção» está de volta, com a autora J. R. Ward a juntar dois dos elementos mais adorados do mundo da Irmandade da Adaga Negra

Sinopse
«Qhuinn, filho de ninguém, habituou-se a estar por sua conta. Expulso da linhagem e rejeitado pela aristocracia, encontrou finalmente uma identidade como um dos mais impressionantes combatentes na guerra contra a Sociedade dos Minguantes. Contudo, a sua vida não está completa. Mesmo perante a perspectiva de vir a ter a sua própria família, sente-se vazio por dentro e entregou o coração a outra causa...
Depois de anos de amor não correspondido, Blay ultrapassou os sentimentos por Qhuinn. E já não era sem tempo: o macho encontrou a parceira perfeita numa fêmea Escolhida, e vão ter um filho – aquilo que Qhuinn sempre quis. É difícil imaginá-los como casal, mas quando se constrói uma vida em torno de um sonho vão, o sofrimento está sempre ao virar da esquina. Algo que o guerreiro aprendeu por si próprio.
O destino parece ter levado os dois vampiros soldados por caminhos diferentes, mas com o recrudescer da batalha pelo trono, e com novos atores em cena em Caldwell a criarem mais riscos para a Irmandade, Qhuinn acaba por descobrir a verdadeira definição de coragem e dois corações que devem ficar juntos acabam por fim por se tornar num só.»

A autora

J. R. Ward vive no Sul dos Estados Unidos, com o seu marido e o seu amado golden retriever. Depois de se ter formado em Direito, começou a sua vida profissional na área da saúde, em Boston, tendo passado muitos anos como chefe de equipa de um dos principais centros clínicos do país. A escrita foi sempre a sua paixão, e a sua ideia de Céu é um dia inteiro com mais nada além do seu computador, o seu cão e a caneca de café. Este é o décimo primeiro volume da saga «Irmandade da Adaga Negra», a continuação de Na Sombra da Noite, Na Sombra do Dragão, Na Sombra do Pecado, Na Sombra do Desejo, Na Sombra do Sonho, Na Sombra do Amor, Na Sombra da Vingança, Na Sombra do Destino, Na Sombra do Perigo e Na Sombra da Vida.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Novidade Saída de Emergência: "Histórias dos Sete Reinos" de George R. R. Martin


Nº de páginas: 336
Colecção: Bang!
Lançamento: 04/07/2014

Cerca de cem anos antes de A Guerra dos Tronos, um cavaleiro desafia as leis dos Sete Reinos… 

Uma obra composta por 3 contos passados cerca de 100 anos antes do início da saga e que ajuda a compor e a entender melhor o mundo criado por George Martin: O Cavaleiro de Westeros, A Espada Ajuramentada e O Cavaleiro Mistério.

Sinopse
«Nos últimos dias do reinado do Rei Daeron, com os Sete Reinos em paz e a dinastia real Targaryen no seu apogeu, conhecemos a história de um jovem escudeiro de nome Dunk que parte em busca de fama e glória num dos mais famosos torneios de Westeros. 
Mas ele desconhecia que o destino pode pregar estranhas partidas e que o caminho para a honra e nobreza em Westeros está ladeado não só de perigos, mas também de amizade e coragem. Quando conhece Egg, um rapaz misterioso e inteligente, mal sabe que os laços estreitos que forma com ele irão mudar a sua vida para sempre. 
Com "Histórias dos Sete Reinos" George R. R. Martin transporta-nos para o mundo fascinante e repleto de intrigas de Westeros, com a mesma mestria com que escreveu a sua obra-prima: "A Guerra dos Tronos".»

O autor
George R. R. Martin trabalhou dez anos em Hollywood como argumentista e produtor de diversas séries e filmes de grande sucesso. Autor de várias coletâneas de contos e noveletas, foi em meados de anos 90 que começou a sua obra mais famosa, As Crónicas de Gelo e Fogo. É a saga de fantasia mais vendida da atualidade e uma adaptação televisiva de grande sucesso foi realizada pela HBO. Um autor multifacetado, a sua obra estende-se a diversos géneros como o horror, a fantasia, a ficção científica, e a prova disso são os títulos Dying of the Light, Windhaven (com Lisa Tuttle), The Armageddon Rag e Sonho Febril. O autor vive em Santa Fé, Novo México, com a sua mulher, Parris.