sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Novidade Casa das Letras: "Outlander - A Viajante" de Diana Gabaldon


Nº de páginas: 824
PVP: 24,90€

Sinopse
«Estava morto. No entanto, o seu nariz palpitava dolorosamente, coisa que lhe era estranha, dadas as circunstâncias.»
Assim começa o terceiro livro da série OUTLANDER, em que ficamos a saber que, afinal, Jamie Fraser não morreu no campo de batalha de Culloden. De volta ao século XX, Claire fica em choque com a notícia de que Jamie está vivo, mas, muito mais que isso, fica radiante. Ouvimos a história de Jamie, como ele mudou, tentando alcançar uma vida a partir dos pedaços da sua alma e do país que deixou para trás, e o breve relato de Claire sobre os 20 anos que passaram desde que o deixou em Culloden, enquanto Roger MacKenzie e Brianna, filhos de Claire e Jamie, se aproximam das pistas do passado, numa busca incessante por Jamie Fraser. Será que o podem encontrar? E se o conseguirem, Claire voltará para ele? E se ela o fizer… o que se sucederá?
Dos fantasmas de Samhain nas terras altas da Escócia para as ruas e bordéis de Edimburgo, do mar turbulento e das aventuras nas Índias Ocidentais, percorremos páginas de história repletas de revolta, assassínio, vodo, fetiches, sequestros, e um sem-número de inúmeras aventuras. Por detrás de todas elas, porém, jaz a questão de Jamie: «Quereis vós levar-me, Sassenach? E arriscar o homem que sou em prol do homem que era?»

A autora
Diana Gabaldon é uma escritora americana de ascendência mexicana e inglesa. Licenciada em Zoologia, mestre em Biologia Marinha e doutorada em Ecologia, foi professora universitária durante 12 anos, mas acabou por ser a escrita a conquistá-la. Atualmente, dedica-se exclusiva­mente a escrever e a sua série de sucesso Outlander, publicada em 26 países e 23 línguas, está a ser adaptada à televisão. Gabaldon vive em Scottsdale, Arizona, com a família.

Da mesma autora
 

terça-feira, 26 de agosto de 2014

20I20 Editora – 5 anos de vida



"Cinco anos. Somos mais novos do que o nosso gato de estimação, mas já gastámos mais vidas do que o Joy para superar as surpresas e os percalços (sobrevivemos à falência de duas distribuidoras!) que o mercado do livro por vezes decide pregar.

Ultrapassámos todos os obstáculos, somos, por tal, reconhecidos e elogiados no meio, e aqui estamos hoje a festejar 5 anos de existência, com a certeza de estarmos a prestar um bom serviço aos leitores editando livros de qualidade.

Conseguimos, em apenas cinco anos, tornar-nos numa das seis maiores editoras portuguesas. Em 2013 a Booksmile terminou o ano como a terceira maior chancela infantil em valor, e a quarta em volume, enquanto a 20I20 Editora foi o quarto maior grupo infantil do mercado em valor e em volume, e o 9.º maior grupo editorial em valor, o sexto em volume.

E, é com objetivos ambiciosos que arrancamos para o último trimestre do ano, o mais importante para as editoras, com bestsellers que vão cativar os mais adultos e enriquecer os mais novos."

John Green (Quando a Neve Cai), autor bem conhecido entre os leitores portugueses, James Patterson (I, Alex Cross e Sunday’s at Tiffany’s), Janet Evanovich (A Perseguição) e Jeff Kinney (O Diário de um Banana 9), estes últimos autores do Top 6 mundial (Forbes), são alguns dos nomes de relevo que terão novos títulos a chegar às livrarias até ao Natal.

Novidades

Agosto
No dia 28 de agosto chegam já às livrarias, pela Topseller, o thriller Não Digas Nada de Mary Kubica, Ama-me, o terceiro volume da série premiada de J. Kenner (Prémio Melhor Romance Erótico 2014) e Um Caso Perdido (Hopeless) da autora n.º 1 do New York Times Colleen Hover (Romance).

Destaque, ainda, para um lançamento da Booksmile. Pela primeira vez, os fãs d’O Diário de um Banana, coleção bestseller em Portugal e com mais de 115 milhões de livros vendidos em todo o mundo, terão uma agenda bem especial para utilizar e “abusar” ao longo do ano escolar.

Setembro
Em setembro, a Topseller dá a conhecer um novo autor espanhol Marc Pastor, autor de A Mulher Má. Um thriller ao estilo de Sherlock Holmes, passado na cidade de Barcelona de 1912, baseado numa história verídica de uma mulher que raptava e comia crianças. C. W. Gortner regressa com um novo romance histórico, O Segredo dos Tudor, enquanto a saga de Vanessa Michael Monroe, personagem criada pela autora bestseller Taylor Stevens, continua em Os Inocentes.

Destaque, na Vogais, para os livros Mourinho Rockstar: As Duas Faces do Treinador Mais Polémico do Mundo, de Luís Aguilar, ABC da Poupança, de Ana Rosa Bravo, Dieta Anti-Cancro, de Magda Roma, e Um Homem Também Chora, de Mónica Menezes, este último um livro singular com testemunhos de homens que passaram pela experiência de cuidar de mulheres com cancro. A 20I20 Editora continua, assim, a apostar em autores portugueses.

Outubro
Em outubro, James Patterson, o autor mais bem-sucedido em todo o mundo com mais de 300 milhões de livros vendidos, regressa com I, Alex Cross, o terceiro título, publicado em Portugal, da série policial mais popular dos últimos 25 anos. Janet Evanovich, a autora de policiais mais bem-sucedida em todo o mundo, com mais de 75 milhões de livros vendidos, regressa com A Perseguição, o segundo volume da série Kate O’Hare. Para os fãs de thrillers intensos, Karin Slaughter traz-nos Fraturado, o segundo volume da série Will Trent.

A Vogais edita a imperdível biografia Antoine de Saint Exupéry: Vida e Morte do Principezinho, de Paul Webster. Já Philip Leonetti, “Crazy Phill”, conta, na primeira pessoa, a vida por dentro da família mais violenta da história da América e a queda sangrenta da La Cosa Nostra em O Príncipe da Máfia. Depois do sucesso da 1.ª edição, Kakebo, o famoso livro que tem ajudado os portugueses a poupar atualiza-se para o ano de 2015.

Novembro
Em novembro, Quando a Neve Cai, editado pela Topseller, promete encantar os fãs da escrita de John Green. Um livro que reúne três romances de Natal, três histórias de amor escritas a três mãos: John Green, Lauren Myracle e Maureen Johnson.

A pensar no Natal dos mais novos, em novembro chega às livrarias, com a chancela Booksmile, aquele que será, como habitual, o livro infantojuvenil mais procurado, O Diário de um Banana 9, nono volume da coleção que já vendeu mais de 115 milhões em todo o mundo. A coleção bestseller Princesa Poppy, da autoria de Janey Louise Jones e com mais de meio milhão de livros vendidos em Portugal, continua a crescer, e tem dois novos títulos para as pequenas princesas.

A Vogais edita a uma completa biografia do Papa Francisco do conhecido jornalista britânico Austin Ivereigh (The Great Reformer: Francis and the Making of a Radical Pope).


NOTÍCIA – Nova chancela literária em 2015

A 20I20 Editora, mantendo a sua política de crescimento, tem a satisfação de anunciar que o catálogo do Grupo vai aumentar com o nascimento, em 2015, da chancela literária. A 20I20 Editora prevê lançar, sob a nova chancela, 15 títulos em 2015, entre autores nacionais e estrangeiros.

O nome da chancela fica, por enquanto, no segredo dos deuses. Mas não resistimos a revelar o primeiro nome que figurará no catálogo: Pearl S. Buck, Prémio Nobel da Literatura. Perdido durante 40 anos, A Eterna Demanda (The Eternal Wonder) é um romance inédito de Pearl S. Buck e chegará às livrarias nacionais em fevereiro de 2015.

Trata-se de uma exploração ficcional comovedora e portentosa dos temas que tanto diziam a Pearl S. Buck, A Eterna demanda é, talvez, o seu trabalho mais pessoal e apaixonado, e cativará, sem dúvida, os milhões de leitores que sempre estimaram as suas obras ao longo de gerações.

domingo, 24 de agosto de 2014

O Grande Amor da Minha Vida


Título original: The Bronze Horseman
Autora: Paullina Simons
Nº de páginas: 688
Editora: ASA

Sinopse
«Tatiana vive com a família em Leninegrado. A Rússia foi flagelada pela revolução, mas a cidade mais cosmopolita do país guarda ainda memórias do glamour do passado.
Bela e vibrante, Tatiana não deixa que o dramatismo que a rodeia a impeça de sonhar com um futuro melhor.
Mas este será o pior e o melhor dia da sua vida.
O dia fatídico em que Hitler invade a Rússia.
O dia assombroso em que conhece aquele que será o seu grande e único amor.
Quando Tatiana e Alexander se cruzam na rua, a atração é imediata. Ambos sabem que as suas vidas nunca mais serão as mesmas.
Ingénua e inexperiente, Tatiana aprende com o jovem soldado os prazeres da paixão e da sensualidade. Atormentado pela guerra e pela incerteza quanto ao futuro, Alexander descobre a doçura dos afetos.
E, enquanto as bombas caem sobre Leninegrado, eles vivem um amor que sabem ser eterno mas impossível. É um amor que pode destruir a família de Tatiana. Um amor que pode significar a morte de todos os que os rodeiam.
Ameaçados pela implacável máquina de guerra nazi e pelo desumano regime soviético, Tatiana e Alexander são arremessados para o vórtice da História, naquele que será o ponto de viragem do século XX e que moldará o mundo moderno.»


Opinião
Todos os bons romances têm algo em comum que, na maioria dos casos, se torna a sua essência: uma boa história de amor protagonizada por personagens sólidas. O que, de facto, distingue os bons romances é o que o autor consegue criar para além do contexto romântico, ou melhor, o modo como o autor encaixa o romance num cenário mais construtivo de maneira a que haja algo mais para além disso, que provoque outro género de sentimentos no leitor. Dito isto, não consigo deixar de referir o meu desagrado quanto ao título optado pela nossa editora. Este livro é muito mais que uma história de amor, mesmo sendo um grande amor. A influência que o russo Pushkin tem sobre esta história é significativa, não uma mera referência à sua existência. O Cavaleiro de Bronze (um dos seus mais aclamados poemas) é a alma deste livro e o título - não subtítulo - que exclusivamente lhe pertence por direito.

Fora este aparte, O Grande Amor da Minha Vida está repleto de qualidades notórias e particularidades impressionantes que fazem desta uma história grandiosa, tocante em todos os sentidos. Com o pano de fundo a destacar uma Rússia comunista à beira de um dos maiores conflitos que a humanidade já presenciou, somos inseridos no seio de uma família comum, modesta e numerosa da qual faz parte a jovem Tatiana. Desde o momento em que se apresenta, Tatiana não larga o leitor até à última página. Tatiana é apenas uma criança quando no dia 22 de Junho de 1941 a Alemanha invade a Rússia, catapultando inesperadamente este país para a sanguinária Segunda Guerra Mundial. A partir desse dia, tudo muda para Tatiana e para os milhões de cidadãos russos que se vêm confrontados com a necessidade de combater pelo país, pela pátria do camarada Estaline. É, no entanto, no cenário mais obscuro que surge uma luz protectora. Alexander, um soldado do Exército Vermelho, encontra Tatiana na mais banal das ocasiões. É o acaso do destino que cruza as suas vidas de uma maneira irreversível, ligando-os por um fio invisível mas imutável à espera de ser fortalecido pelo tempo e pelas palavras. Porém, as circunstâncias que se afiguram são demasiado controversas para serem desprezadas, e o amor que poderia crescer livremente fecha-se à volta de inúmeras paredes cheias de obstáculos, uns que apenas o tempo e o espaço podem transformar, outros que são simplesmente intransponíveis. O que se verifica é, apesar disso, que em tempos de guerra, não há vitórias ou derrotas impossíveis. Há lutas que devem ser travadas e destinos a serem cumpridos, sem faltarem boas ou más surpresas que ninguém pode revogar.

Nesta complexa história, as personagens são aquilo que faz a diferença. A brevidade de algumas é tão marcante quanto a longevidade de outras, mas são duas figuras que, por razões óbvias, se destacam das restantes. Tatiana é o motor do livro, portanto a pessoa que faz mover a seu ritmo a atenção do leitor. Numa primeira fase, Tatiana é uma rapariga tímida, ingénua, mas com uma personalidade extremamente vincada, capaz de surpreender a qualquer momento. É, contudo, quando os tempos se tornam mais negros que a verdadeira Tatiana, ou uma Tatiana que ainda não existia e que pela força da necessidade se constrói, atinge uma maturidade invulgar numa rapariga de dezassete anos. Os acontecimentos que ocorrem à sua volta são cada vez mais degradantes, mas a sua alma fortalece-se com eles impedindo a todo o custo de se embrenhar na mesma apatia fulminada por uma resignação total à lenta destruição pessoal. Os horrores sentidos por Tatiana fazem-nos pensar nas nossas vidas, na sorte que nos foi concedida por nascermos numa época livre de certas incumbências que nenhum ser humano que se preze deve levar a cabo. A determinação e a esperança de Tatiana são a beleza perante o caos das bombas e da morte, permitindo-lhe passo a passo chegar longe numa jornada aparentemente inútil. Grande parte da sua força deve-se a Alexander, o soldado que mudou para sempre a sua forma de ver a vida. Alexander é alguém que também sofre, não só pelo presente mas também por um passado de dificuldades que teima em esconder para sua própria segurança, agora também a segurança de Tatiana. Com o decorrer do livro, torna-se evidente que Alexander é um homem de integridade absolutamente inabalável, sempre consciente da situação que o seu mundo atravessa - o que se revela nas suas acções e decisões. À medida que a relação de Tatiana e Alexander cresce e se transforma em puro amor, o clima da obra torna-se mais consistente, porém cada vez mais imprevisível e instável. A partir de certo ponto, falar de Tatiana é o mesmo que falar de Alexander, e o contrário igualmente verdade, por existir entre eles uma união que os cinge a um só corpo, a uma só mente. Esta entrega mútua é abismal e o seu encanto é, não obstante, ameaçado por outra personagem, Dimitri. Em várias passagens, o desenlace está num impasse e numa incerteza excruciante devido à intervenção de Dimitri, em quem a autora deposita toda a hipocrisia, ingratidão e maldade que pode existir num homem com graves inseguranças. Para além de Dimitri, muitas outras personagens secundárias interpõem-se e, à sua maneira, influenciam a vida dos protagonistas. Muitas são interessantes na medida em que fazem sobressair o que de melhor e pior existe nas relações entre humanos, principalmente a consistência de uma amizade ou de um laço familiar que, por força das circunstâncias, se encaminha para o desmoronamento. A construção progressiva de Tatiana e de Alexander é contrariada pela desconstrução das restantes personagens. Assim, no fim nada mais importa que esta dualidade, este homem e esta mulher cheios de um mundo de sentimentos e de cicatrizes causadas pela mágoa, mas também pela alegria.

A intervenção histórica neste livro é impressionante. Confere todo um dinamismo e realismo à história que a torna mais sentida. O que não falta na oferta literária são romances em tempos de guerra, e este poderia ter caído na banalidade em que a guerra é um mero cenário ilustrativo. Mas não. A guerra é profundamente demarcada no âmago das personagens e no decorrer do tempo e do espaço, sem no entanto ser o foco principal da narrativa. Existem detalhes que são, certamente, precisos e que revelam uma exaustiva pesquisa factual por parte da autora. Além disso, é com grande naturalidade que a acção se vai delineando pelas ruas de uma São Petersburgo transformada numa Leninegrado comunista, mais um trabalho notável por parte de Simons.

Ainda assim, uma das mais importantes características deste trabalho de Simons é ambiguidade da sua escrita. Em geral, é uma escrita coerente, apelativa e fácil de entender, o que permite uma leitura fluída com alguma celeridade. Porém, tão depressa existe uma leveza e um cuidado em aliciar o leitor com palavras bonitas e diálogos encantadores como os capítulos se preenchem de uma crueza que, no mínimo, acaba por ser chocante. Nesta última vertente, a guerra que se vive e as suas repercussões são uma grande ajuda para atingir a sensibilidade do leitor. De facto, o leitor termina esta leitura indefinidamente sensibilizado, com uma sensação inebriante de um novo despertar para o mundo e para a vida que são tão preciosos, mas tão pouco valorizados.

Fome, morte, amor, luta e vida preenchem as mais de seiscentas páginas de O Grande Amor da Minha Vida. Percorrido por um tom épico, revolucionando o pensamento de quem lê com a conclusão de grandes acontecimentos, este primeiro volume define um estilo irreverente e aliciante, ideal para fazer desta uma trilogia muito promissora. Simons, mais que uma escritora que sabe como atingir o seu público, é uma criadora de personagens e de histórias magníficas. O descortinar das eventualidades que ficaram por esclarecer é muito aguardado e será, eventualmente, algo tão magistral quanto o amor sentido pelas duas almas que deram vida a este livro. 

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Passatempo Presença: "Quinta Viagem ao Reino da Fantasia"



Queres ganhar o novo livro do Geronimo Stilton, Quinta Viagem ao Reino da Fantasia
Já imaginaste se o Stilton te convidasse para ires com ele ao Reino da Fantasia? Daria uma história bem extrarrática, não achas?
Pois é isso que queremos que nos contes: puxa pela imaginação e conta-nos as tuas aventuras com dragões, ogres, fadas, elfos, duendes, gigantes e bruxas!
E se fores um dos autores das 3 melhores histórias adivinha o que vais ganhar? Um livro novinho em folha: Quinta Viagem ao Reino da Fantasia

Participa aqui até dia 24 de agosto e boa sorte!

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

As Brumas de Avalon - O Prisioneiro da Árvore



Título original: The Mists of Avalon - The Prisoner in the Oak
Autora: Marion Zimmer Bradley
Nº de páginas: 304
Editora: Saída de Emergência
Colecção: Bang!


Sinopse
«No derradeiro volume deste clássico, Morgaine vai ao encontro do seu destino que a coloca contra Artur – o seu amante, irmão e agora inimigo. Ao regressar a Camelot durante o Banquete de Pentecostes, Morgaine acusa Artur de comprometer a coroa, e exige que este lhe devolva a espada mágica Excalibur. 
Mas Artur recusa e Morgaine tenta de tudo para o travar, nem que para isso tenha que usar as pessoas que ama para o desafiar. Quando Avalon se sente traída por Artur, Morgaine invoca a sua magia para lançar os companheiros de Artur numa demanda pelo cálice sagrado. 
Os eventos escapam ao controlo de todos quando Lancelet regressa e sucumbe de novo à sua paixão por Gwenhwyfar. Mas o Rei Veado tem assuntos mais importantes como a guerra decretada por Mordred que pretende usurpar o trono de Camelot. 
Conseguirá o mundo de Avalon sobreviver ou será forçado a desaparecer nas brumas do tempo e memória?»

Opinião
Finalmente, eis que se chega ao derradeiro volume de uma tetralogia muito especial. O Prisioneiro da Árvore termina, assim, uma saga de amor, fé e poder que relata sob uma perspectiva muito própria a mítica lenda Arturiana. Depois de três intensas partes que encaminharam a história para uma tão desejada conclusão, é com enorme entusiasmo que se inicia este último percurso pelas terras de uma Bretanha ancestral envolta em misteriosas brumas. Se a curiosidade em conhecer o destino de Avalon e de Camelot é grande, não o é menos aquela de saber o que acontecerá às suas extraordinárias personagens. Dito isto, não é com surpresa que este se afirma um final magistral, digno de uma obra de notável qualidade, embelezado até por uma agridoce imprevisibilidade.

A maior incerteza que se pretendia desvendar aqui e a pergunta que pairava mesmo antes de Arthur se fazer rei era, afinal, o que seria feito de Avalon num mundo que, aparentemente, a esqueceu. Surpreendentemente, a ênfase não recai sobre o destino de Avalon, mas antes sobre o que Avalon significa perante uma sociedade que vive em novos tempos e com outros ideais. Se o que se aguardava era um tratado bélico entre Pagãos e Cristãos, o engano não poderia ser maior. Acima de tudo, esta é uma obra de introspecção que coloca paralelamente o poder humano e o divino, desmistificando a influência que cada um tem sobre o outro. O conflito é inquestionavelmente real, mas quem iniciou de facto essa guerra? Terá sido a ira divina ou a ingratidão do homem? Perceber esta questão é fundamental para atingir a paz entre os homens, sobretudo a plenitude de espírito que só os mais atentos conseguem alcançar. Deste modo, poucos conhecem a verdade da vida e o que ela significa. Apenas uma alma se preenche desta fulminante epifania e só essa alma, antes incompleta, se consegue transfigurar em luz imutável.

As Brumas de Avalon segue vários caminhos durante esta leitura, tornando possíveis múltiplas hipóteses antes inverosímeis. Sente-se a magia a correr pelas páginas à medida que se desvenda cada aspecto do enredo, nunca havendo desilusão por parte do leitor. Empreendem-se muitos acontecimentos, o que se justifica não só por haver muito por concluir, mas também pela longa extensão temporal que constitui O Prisioneiro da Árvore. Esses acontecimentos determinam a corrente situação das personagens e o seu relacionamento com o ambiente envolvente. Mas mais importante que isso, a maioria desses acontecimentos alteram o relacionamento das personagens com elas próprias. A sua individualidade é mais marcante que nunca e as suas decisões revelam quem, na verdade, são e qual o seu papel na transformação que se sente no mundo.

As personagens e a sua evolução são, portanto, um aspecto fulcral do livro. A sua cronologia extensa é fortemente demarcada nas personagens e sente-se cada uma a amadurecer ao seu próprio ritmo, comprovando que o passar dos anos não só traz rugas, como conhecimento. Sem esse conhecimento, não seria possível a Morgaine alcançar uma sabedoria tal que lhe permitiu crescer exponencialmente em espírito. Embora parecesse que era impossível desenvolver mais esta personagem, Bradley atraiçoou-nos numa reviravolta impressionante, demarcando a sua genialidade em relacionar complexamente personagens e enredo. Também Gwenhwyfar se afirma na sua personalidade sólida, emancipando-se de uma forma que tem tanto de surpresa como previsibilidade. É, no entanto, em certas personagens que até aqui eram participantes do plano secundário que se constroem as maiores surpresas. Nomeadamente Morgause, Gwydion, Kevin e Lancelet são atirados no vórtice tempestuoso das disputas íntimas de interesses e desejos, acabando num lugar à altura das suas acções. Arthur, pelo contrário, preenche-se de um grande vazio e pouca relevância enquanto figura activa. É mais valorizado o seu simbolismo, a imagem do Rei Supremo que dele transparece do que propriamente a pessoa e as respectivas características que lhe são inerentes. Afinal, o que será feito do Rei Veado, quando o jovem veado crescer?

Apesar de se revestirem de aspectos humanos e terrenos, as personagens não se privam do culto transcendente que a autora logo no início enraizou. A fé continua a fazer mover cada um, à sua maneira, tendo um sentido muito particular neste último tomo. Porque a fé é algo intocável, porém profundamente poderoso, porque quando a fé se afronta perante o mortal, impulsiona-no na procura de algo melhor, no encalço da perfeição intangível, que por o ser, leva à loucura. O orgulho do homem cega-o, moldando-lhe a mentalidade e o pensamento, tornando-o ciente de que pode deter um poder maior que o do próprio universo. Esta ambição, quando não controlada, pode ser fatal. Conduz à hipocrisia, à traição e por fim à destruição. De facto, a crença tem um poder muito forte, na maioria dos casos oculto aos olhos. É quando se vislumbra uma centelha dessa crença e se é sensível aos seus desígnios que se cumpre o seu verdadeiro propósito. Só assim é possível iluminar a humanidade.

Dotada de uma narração mágica, até por vezes hipnotizante pelo balancear criteriosamente ajustado das palavras, Bradley fez desta uma história de reflexão, em que cada capítulo são levantadas questões com as quais qualquer leitor se pode relacionar. São sentidas as vivências das suas personagens, as suas alegrias e angústias, anseios e tormentos, sendo que esta forma inteligente de dar a conhecer o âmago das personagens nos faz amá-las ou odiá-las com mais fervor. Esta particularidade intensifica-se com o aproximar do fim, onde nada mais interessa do que a condição final de cada figura que durante quatro livros nos deliciaram e encantaram.

Com O Prisioneiro da Árvore, culmina-se em todo o seu esplendor uma brilhante saga da literatura fantástica. Constituída por momentos imprevisíveis protagonizados por personagens marcantes que muito já viram da vida, As Brumas de Avalon finaliza-se após uma era erigida pela dedicação à fé e ao poder, ponteada por guerras sustentadas pelo ódio, mas também envolta no mais puro amor que tolda a sensibilidade humana. É uma obra que, na sua essência, leva o leitor mais longe na experiência da leitura envolvendo-o num mistério tão antigo quanto a própria raça humana, que faz mover massas a cada século de existência. Uma autora genial, uma história aliciante e personagens magníficas fazem de As Brumas de Avalon um irrepreensível culto literário para qualquer tipo de leitor em qualquer geração.