sábado, 24 de janeiro de 2015

O Palácio de Inverno


Título original: The Winter Palace
Autora: Eva Stachniak
Nº de páginas: 536 
Editora: Casa das Letras

Sinopse
«A implacável ascensão de Catarina, a Grande, vista através dos olhos da jovem espia da imperatriz na Rússia do século XVIII.
Quando Vavara, uma jovem órfã polaca, chega à ofuscante e perigosa corte da imperatriz Isabel em Sampetersburgo, é iniciada em tarefas que vão desde o espreitar pela fechadura até à arte de seduzir, aprendendo, acima de tudo, a ser silenciosa – e a escutar.
Chega, então, da Prússia Sofia, uma frágil princesa herdeira, a potencial noiva do herdeiro da imperatriz. Incumbida de a vigiar, Vavara em breve se torna sua amiga e confidente e ajuda-a a mover-se por entre as ligações ilícitas e as volúveis e traiçoeiras alianças que dominam a corte.
Mas o destino de Sofia é tornar-se a ilustre Catarina, a Grande. Serão as suas ambições mais elevadas e de longo alcance? Será que nada a deterá para conquistar o poder absoluto?»

Opinião
O tempo passa, a história constrói-se. As épocas mudam, o cenário repete-se. Os feitos dos grandes impérios são contados e recontados, enaltecendo as suas figuras soberanas e o papel decisivo que tiveram na fortificação do mundo que hoje conhecemos como tal. O que, na maioria dos casos, é da ignorância da pessoa comum é a participação crucial dos elementos anónimos, cujos nomes e origens não saltam à vista porque, no fim de contas, não foi conveniente. É, no entanto, nas mãos desses desconhecidos que se moldam os primeiros passos para o alcance de algo importante, seja isso uma guerra épica ou uma revolução vitoriosa. É de um desses intervenientes, que se atreveu a dar um pequeno passo na direcção do futuro, que trata esta história.

Ainda criança, Barbara diz adeus ao seu humilde lar na Polónia para entrar num universo completamente desconhecido. Na Rússia, torna-se Varvara, uma informadora da corte da imperatriz Isabel, corte essa que vive do aparato e da grandeza, dos bailes de máscaras e de festas sumptuosas em prol do orgulho russo. Para Varvara, a inocência torna-se a sua máscara. Uma oportunidade que surge de um acaso imprevisível altera por completo o rumo dos acontecimentos e a partir desse ponto, Varvara apercebe-se que a perspicácia e a descrição serão o seu melhor trunfo. O passado é irrelevante. O presente é a chave para o futuro.

Este livro vive das suas personagens. É Varvara a primeira a conhecermos, e pela qual nutrimos desde o início sentimentos de compaixão e favoritismo. Sendo alguém genuinamente humilde, íntegra, fiel aos seus princípios, porém consciente das implicações da situação em que se encontra, Varvara demonstra determinação em atingir os seus objectivos numa realidade que lhe é recente, onde começa a aprender o jogo e a mover-se de modo a causar as mínimas perturbações com os seus passos. Enquanto faz parte de uma teia complexa de factos e trapaças, ela própria cresce não se esquecendo de onde vem e como ali foi parar. Portanto, os seus actos são medidos com a máxima preocupação e pesando os riscos que poderão estar envolvidos. Em grande parte, a direcção das decisões de Varvara é definida quando conhece Sophie, anos depois Catarina, estabelecendo-se um grau de intimidade entre as duas como se de uma verdadeira amizade se tratasse. Contudo, é Catarina quem mais surpreende. Esta chega à Rússia espelhando a sua fragilidade e doçura, alheia das vicissitudes que ali ocorreriam. Torna-se uma mulher manipulada pelos interesses de Isabel, impotente e ausente do seu propósito. É uma surpresa quando as cartas se invertem e a mulher-sombra se torna forte, repleta de ambição, manifestando claramente uma evolução aparentemente espontânea. A verdade é um tanto ambígua, como se revela no fim do livro. Os restantes retratos são secundários, tanto para incluir figuras-tipo como para fazer estabelecer meios de comunicação entre Varvara e Catarina. Isabel, a imperatriz, é uma figura histórica irrepreensivelmente autoritária, segura de si, porém um tanto influenciável quando tocada pelas palavras certas. Quanto a Pedro, seu sobrinho e herdeiro, é alguém completamente mimado e mesquinho, fraco de mente e de corpo. É, no entanto, alvo de boas risotas nos apartes, mas também um obstáculo a Catarina. Entre as restantes personagens, existem neste romance um leque vastíssimo de condes, duques, príncipes e princesas, soldados, embaixadores, criadas e artífices que compõe uma corte recheada de vidas por contar e por explorar, conferindo à obra a magistralidade que um bom romance de época deve conter.

Neste último aspecto, a autora não se conteve em detalhes e artifícios para exaltar a exuberância e magnitude de uma Rússia czarista, onde a aristocracia detinha a palavra principal e o espólio de toda a nação. Há descrições de palácios profusamente decorados a ouro e a luz e de jardins elegantes onde reinavam as paletes de cores vivas. A narração prima pelo deslumbramento e pelo encanto que se compõe aos olhos de um dos maiores impérios mundiais de todos os tempos.

Sendo este um grande ponto a favor da narração, outro igualmente importante é o esquema de intrigas que aqui é particularmente complexo e interessante. As várias reviravoltas que se sucedem provêm de conversas escutadas, de cartas revistadas ou até mesmo de um olhar que não foi capaz de esconder o seu nervosismo. Daqui, retira-se a conclusão irrevogável que a ética nunca foi um princípio fundamental dos reinados, antes uma máscara para o que realmente se fazia quando se estava no poder. Os interesses próprios eram o motor de todo o sistema, sendo no entanto necessário manter as aparências - o que, efectivamente, requeria trabalho. Era, portanto, necessário construir uma farsa sólida e sem pontas soltas, algo que apenas a perspicácia de alguns permitia. Há que pensar em acções e pessoas, calculando o que mais pesa.

De notar o rigor histórico apresentado, trabalho que acredito estar inquestionavelmente bem elaborado pela autora, tendo a mesma revelado nos seus agradecimentos a extensa pesquisa que efectuou. Seguindo um ritmo cronológico, a acção desenrola-se de modo coerente, introduzindo as personagens nos episódios certos  e estabelecendo a relevância de cada uma na trama. Entre o veracidade dos factos, não esquecer que decerto houve espaço para ficção, nomeadamente no que diz respeito às personagens. O que é importante perceber é o grau em que cada uma se insere na sociedade, e desse modo o retrato fica completo e quase idêntico ao que se viveu no século XVIII naquele que é um país de requinte, mas também de muitos contratempos.

Acima de tudo um relato sobre a verdade e o seu significado num contexto que prima pela sua ausência, O Palácio de Inverno concebe uma perfeita harmonia entre história e ficção para oferecer uma imagem crua e minuciosamente embelezada da gélida e soberba Rússia, no seu apogeu materialista e declínio moral. Uma leitura que nos conduz pelas sementes que germinaram em força e se reproduziram numa das dinastias mais enaltecidas de toda a humanidade, contudo focando a presença de quem nos bastidores, ao regar a flor pretendida, permitiu que esta desabrochasse com maior imponência que todas as outras.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Novidade Presença: "O Bicho-da-Seda" de Robert Galbraith


Nº de páginas: 496
Coleção: Grandes Narrativas
Nº na Coleção: 596
Lançamento: 20 de Janeiro


Sinopse
«Quando o escritor Owen Quine desaparece, a sua mulher contrata os serviços do detetive privado Cormoran Strike. De início pensa que o marido se ausentou por uns dias - como já acontecera anteriormente - e recorre a Strike para o encontrar e trazer de volta a casa. No decorrer da investigação,torna-se claro que o desaparecimento do escritor esconde algo mais. 
Quine tinha acabado de escrever um romance onde caracterizava de forma perversa quase todas as pessoas que conhecia. Se o livro fosse publicado iria certamente arruinar algumas vidas - pelo que haveria várias pessoas interessadas em silenciá-lo. E quando Quine é encontrado, brutalmente assassinado em circunstâncias estranhas, começa uma corrida contra o tempo para tentar perceber a motivação do cruel assassino, um assassino diferente de todos aqueles com quem Strike se tinha cruzado...
Um policial de leitura compulsiva com um enredo que não dá tréguas ao leitor, O Bicho-da-Seda é o segundo livro desta aclamada série protagonizada por Cormoran Strike e pela sua jovem e determinada assistente Robin Ellacott.»

O autor
Robert Galbraith é um pseudónimo de J. K. Rowling, a autora dos livros da série Harry Potter e de Uma Morte Súbita, também publicados em Portugal pela Editorial Presença.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Novidade Saída de Emergência: "O Poço da Ascensão" de Brandon Sanderson


Nº de páginas: 736
Colecção: Bang!
Lançamento: 13 de Fevereiro

Uma das sagas de fantasia que mais sucesso teve nos últimos anos. Todos os fãs do género deveriam ler.

Sinopse
«Alcançaram o impossível: o mal que governara o mundo pela força do terror foi derrotado. Mas alguns dos heróis que lideraram esse triunfo não sobreviveram, e eis que surge uma nova tarefa de proporções igualmente gigantescas: reconstruir um novo mundo. Vin é agora a mais talentosa na arte e técnica da Alomância e decide reunir forças com os outros membros do bando de Kelsier para ascender das ruínas de um passado vil. 
Venerada ou perseguida, Vin sente-se desconfortável com o peso que carrega sobre os ombros. A cidade de Luthadel não se governa sozinha, e Vin e os outros membros do bando de Kelsier aprendem estratégia e diplomacia política enquanto lidam com invasões iminentes à cidade. 
Enquanto o cerco a Luthadel se torna cada vez mais apertado, uma lenda antiga parece oferecer um brilho de esperança: o Poço da Ascensão. Mas mesmo que exista, ninguém sabe onde se encontra nem o poder que contém… Resta a Vin e aos seus amigos agarrar esta fonte de esperança e conseguir garantir o seu futuro e futuro de Luthadel, cumprindo os seus sonhos e os sonhos de Kelsier.»

O autor
Brandon Sanderson é uma estrela em ascensão na fantasia norte-americana conhecido pela sua saga Mistborn e por ter terminado a série de fantasia épica A Roda do Tempo de Robert Jordan, após o seu falecimento. Em 2010, iniciou uma nova série de fantasia, Stormlight Archive, com o título The Way of Kings, além de outras séries direcionadas para o público jovem-adulto. Dá aulas de escrita criativa e participa em podcasts sobre escrita e o género fantástico.