domingo, 19 de fevereiro de 2017

Pensamentos (6)


O actor

O actor acende a boca. Depois os cabelos.
Finge as suas caras nas poças interiores.
O actor põe e tira a cabeça
de búfalo.
De veado.
De rinoceronte.
Põe flores nos cornos.
Ninguém ama tão desalmadamente
como o actor.
O actor acende os pés e as mãos.
Fala devagar.
Parece que se difunde aos bocados.
Bocado de estrela.
Bocado janela para fora.
Outro bocado gruta para dentro.
O actor toma as coisas para deitar fogo
ao pequeno talento humano.
O actor estala como sal queimado.

O que rutila, o que arde destacadamente
na noite, é o actor, com
uma voz pura monotonamente batida
pela solidão universal.
O espantoso actor que tira e coloca
e retira
o adjectivo da coisa, a subtileza
da forma,
e precipita a verdade.
De um lado extrai a maçã com sua
divagação de maçã.
Fabrica peixes mergulhados na própria
labareda de peixes.
Porque o actor está como a maçã.
O actor é um peixe.

Sorri assim o actor contra a face de Deus.
Ornamenta Deus com simplicidades
silvestres.
O actor que subtrai Deus de Deus, e
dá velocidade aos lugares aéreos.
Porque o actor é uma astronave que 
atravessa
a distância de Deus.
Embrulha. Desvela.
O actor diz uma palavra inaudível.
Reduz a humidade e o calor da terra
à confusão dessa palavra.
Recita o livro. Amplifica o livro.
O actor acende o livro.
Levita pelos campos como a dura água do
dia.
O actor é tremendo.
Ninguém ama tão arrebatadamente como
o actor.
Como a unidade do actor.

O actor é um advérbio que ramificou
de um substantivo.
E o substantivo retorna e gira,
e o actor é um adjectivo.
É um nome quer provém ultimamente
do Nome.
Nome que se murmura em si, e agita,
e enlouquece.
O actor é o grande Nome cheio de
holofotes.
O nome que cega.
Que sangra.
Que é o sangue.
Assim o actor levanta o corpo,
enche o corpo com melodia.
Corpo que treme de melodia.
Ninguém ama tão corporalmente como o
actor.
Como o corpo do actor.

Porque o talento é transformação.
O actor transforma a própria acção
da transformação.
Solidifica-se. Gaseifica-se. Complica-se.
O actor cresce no seu acto.
Faz crescer o acto.
O actor actifica-se.
É enorme o actor com a sua ossada de base,
com as suas tantas janelas,
e ruas -
o actor com a emotiva publicidade.
Ninguém ama tão publicamente como o
actor.
Como o secreto actor.

Em estado de graça. Em compacto
estado de pureza.
O actor ama em acção de estrela.
Acção de mímica.
O actor é um tenebroso recolhimento
de onde brota a pantomina.
O actor vê aparecer a manhã sobre a
cama.
Vê a cobra entre as pernas.
O actor vê fulminantemente
como é puro.
Ninguém ama o teatro essencial como o
actor.
Como a essência do amor do actor.
O teatro geral.

O actor em estado geral de graça.


Helberto Hélder 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Nerve: Alto Risco


Título original: Nerve
Autora: Jeanne Ryan
Nº de páginas: 344
Colecção: Jovem Adulto

Sinopse
«Quando Vee participa no NERVE, um jogo online de desafios transmitido em direto, descobre que quem controla a competição parece saber tudo acerca dela. Oferecem-lhe os prémios que mais deseja e escolhem para a sua equipa Ian, um rapaz com quem qualquer rapariga do secundário sonharia. 
Nestas condições, é quase impossível resistir. Vee aceita a primeira consequência. E depois outra. E outra. 
Se ao princípio o jogo parece emocionante (os fãs aplaudem e incitam-nos a ultrapassar desafios arriscados com apostas cada vez mais altas), aos poucos revela-se uma armadilha. Vee e Ian têm de decidir se arriscam a vida para o Grande Prémio ou se deitam tudo a perder. Será o jogo letal?»

Opinião
Nerve: Alto Risco tem como protagonista Vee, uma jovem que leva uma vida simples nos bastidores. Apesar de se sentir bem no seu meio, Vee anseia por algo mais. Atingindo o ponto da frustração, Vee consegue finalmente um motivo para passar para o primeiro plano, para as luzes da ribalta. Sem saber realmente como, vê-se envolvida numa trama de mirabolantes acontecimentos nos quais toma o papel principal - estando prestes a descobrir o preço da fama e o que esta esconde dos olhos do público.

Como obra juvenil, Nerve: Alto Risco enquadra-se perfeitamente no retrato da comunidade adolescente contemporânea. Recorrendo ao tema da tecnologia, utilizando nomeadamente a vertente das redes sociais, Ryan tece uma narrativa que expõe a dupla face deste universo. Por um lado, o esplendor e a aliciante facilidade de obter aquilo que se deseja com uma rapidez quase impensável. Por outro lado, todo este livro é um desmascarar desse deslumbramento, numa tentativa de pôr em evidência os perigos e os verdadeiros objectivos de quem se esconde por detrás dessa vasta rede tecnológica.

As personagens são absorvidas por este ambiente avassalador, não tendo por vezes espaço para crescer. Na verdade, todas elas se desenvolvem tendo em conta a premissa do jogo NERVE. Penso que, de certa forma, isso aprofunda a ideia que a autora pretende passar: que o jogo, e por sua vez, a tecnologia, retira às pessoas parte delas mesmas e, no limite, a essência humana. Apesar disso, gostava de ter encontrado personagens mais consistentes, nomeadamente Vee, narradora desta história, cujo íntimo é tocado a um nível muito superficial. O mesmo acontece com Ian, parceiro de Vee, embora essa falta de dimensão não seja tão notória pois Ian é uma personagem, neste panorama, secundária.

Um ponto bastante positivo deste livro é o facto de a acção decorrer continuamente num curto espaço de tempo. Desta forma, a vivência dos acontecimentos é mais real e a sua percepção mais nítida. Torna-se, portanto, uma leitura bastante célere em que o bombardeamento de eventos torna o ritmo alucinante, nunca tornando a leitura monótona.

A escrita em si é bastante simples e eficaz, faltando por vezes alguma profundidade que eventualmente ofereceria às personagens outra carga emocional. Não obstante, sendo evidente que este livro se destina à população mais jovem e que o mesmo vive da mensagem que pretende transmitir e não directamente das suas personagens, esse factor seria um embelezamento acessório que traria maior densidade à escrita, portanto não fundamental para o propósito aqui apresentado.

Em suma, Nerve: Alto Risco destaca o papel que a evolução tecnológica assume na nossa população e, com pertinência, vislumbra aquilo que poderá ser um futuro muito próximo caso se continue com a actual entrega da humanidade e, mais concretamente, dos adolescentes, a este viciante mundo. Com uma leitura muito acessível e personagens simples, mas reais, é um livro que entretém e deixa clara a sua mensagem: nos tempos que correm, o controlo sobre nós próprios e as nossas decisões é a maior virtude que podemos ter.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

O Herói das Eras - Parte I


Título original: The Hero of Ages
Autor: Brandon Sanderson
Nº de páginas: 432
Editora: Saída de Emergência
Colecção: Bang!

Sinopse
«Quem é o Herói das Eras?
Para pôr fim ao Império Final e restaurar a harmonia e a liberdade, Vin matou o Senhor Soberano. Mas, infelizmente, isso não significou que o equilíbrio fosse restituído às terras de Luthadel. A sombra simplesmente tomou outras formas, e a Humanidade parece amaldiçoada para sempre.
O poder divino escondido no mítico Poço da Ascensão foi libertado após Elend e Vin terem sido ludibriados. As correntes que aprisionavam essa força destrutiva foram quebradas e as brumas, agora mais do que nunca, envolvem o mundo, assassinando pessoas na escuridão. Cinzas caem constantemente do céu e terramotos brutais abalam o mundo. O espírito maléfico libertado infiltra-se subtilmente no exército do Imperador Elend e os seus oponentes. Cabe à alomante Vin e a Elend descobrir uma forma de o destruir e assim salvar o mundo. Que escolhas irão ser ambos forçados a tomar para sobreviver?»

Opinião
As forças que fizeram cair Luthadel colocaram Vin e Elend numa frágil posição estratégica. Os planos, tecidos tendo em conta um objectivo concreto para o futuro do Império, vacilaram perante a assombrosa e inesperada revelação, patente no desfecho d' O Poço da Ascensão. Com os trunfos a tornar-se fraquezas e as esperanças a desvanecer a cada novo amanhecer, o grupo de resistência ao regime do Senhor Soberano necessita cada vez mais de fortes aliados e de ferramentas que permitam, sem saber como, atingir a estabilidade de um mundo em que o mistério se adensa e poderes ocultos, que inebriam e destroem, gradualmente se revelam. 

Nesta primeira parte d' O Herói das Eras, os protagonistas, Vin e Elend, sofrem alterações consideráveis enquanto personagens. Vin, que continuamente atinge um novo grau de maturidade, fica aqui verdadeiramente consciente da sua situação enquanto mulher adulta e ferramenta do império. No entanto, o dilema agora assenta precisamente nesta dualidade: conseguirá abarcar as duas posições simultaneamente sem comprometer uma delas? Mais uma vez, Sanderson, através dos olhos de Vin, projecta o leitor para um universo imersivo, tendo sido através de Vin que deu inicialmente a conhecer os esplendores do mundo da alomância, da sociedade corrupta e suas hipocrisias e da resiliência humana, resultante de um passado brutal e atroz. Quanto a Elend, é aqui que observamos a sua drástica transformação. Após os eventos d' O Poço da Ascensão, Elend volta a renovar-se a si mesmo, atingindo o expoente da sua virtude e carácter. Juntos, Vin e Elend formam uma dupla consistente em procura de respostas, sendo a sua relação alimentada pela imprevisibilidade e pelo fatalismo dos dias que vivem. A presença de outras personagens é também fundamental, tais como Sazed, o terrisano metamorfoseado pela guerra e pelo abalo das suas crenças profundas, TenSoon, o kandra que ainda tem muito por revelar e Susto, com um papel da maior importância nesta fase dos acontecimentos. Todas as restantes personagens contribuem para a perpetuação do ambiente presente nos volumes anteriores e para a solidificação das suas relações. Não obstante, é notória a diminuição das figuras intervenientes neste livro - o que intensifica a sensação de que o fim está cada vez mais próximo.

Se, por um lado, são menos os intervenientes que antes conhecíamos, outros tomam o seu lugar e aparecem sob diversas formas. Há uma força omnipresente que ameaça ruir o que resta do Império e trazer com ela um mal cuja dimensão aparenta ser colossal. As brumas ganham cada vez mais destaque e torna-se evidente que existe algo por detrás da sua acção, sendo por isso fundamental compreendê-las - um dos aspectos que aguardo com entusiasmo ver desvendado no próximo e último livro. Adquire-se também um panorama mais vasto do império e daqueles que habitam em vários locais fora da grande Luthadel, sendo no entanto evidente que a calamidade é transversal a tudo e todos.

O autor entra em maior detalhe na vertente fantástica que é, a meu ver, o ponto mais forte do livro. Tendo introduzido primeiramente a alomância, depois a feruquimia, Sanderson entra com uma nova carta para o jogo: a hemalurgia. Completa assim (ou talvez não) uma tríade de poderes alusivos à relação entre metais e capacidades humanas que perfazem uma esplêndida metáfora pessoal e revestem esta obra de uma deliciosa complexidade. É enorme o detalhe e a mestria com que Sanderson brinca com estes conceitos e nos faz imaginar uma realidade que, embora fantasiada, é credível. 

A escrita é mais uma vez brilhante. O ritmo é mais célere que o do livro anterior, motivado pela constante necessidade de aquisição de esclarecimentos e de evolução das personagens. Existem não somente as perspectivas de Vin ou de Elend, mas vários focos narrativos em volta de outras figuras, o que me agradou num livro em que a tendência aparentava recair apenas sobre os dois protagonistas.

No fundo, O Herói das Eras - Parte I é um presságio para o culminar dos grandes acontecimentos que ditarão o destino do que foi outrora o Império Final. É a tomada de consciência de que algo muito maior está em decurso e que qualquer acto será decisivo para que o amanhã seja possível. Com personagens muito fortes, um enredo aliciante e uma abismal quantidade de questões por responder, Sanderson impele assim o leitor para aquilo que será, decerto, um final de saga magnífico com vários elementos surpreendentes.

Novidade Topseller: "Rei dos Espinhos" de Mark Lawrence



Nº de páginas: 416
Lançamento: Já disponível
PVP: 19,99€

Sinopse
«Será que o anti-herói mais maquiavélico de sempre vai conseguir reunir os recursos e as forças necessárias para enfrentar uma batalha que parece invencível? 
O Príncipe Jorg Ancrath jurou vingar a morte da mãe e do irmão, brutalmente assassinados quando ele tinha apenas 9 anos. Jorg cresce na ânsia de saciar o seu desejo de vingança e de poder, e, ao fim de quatro anos, cumpre a promessa que fez - mata o assassino, o Conde de Renar, e toma-lhe o trono. Aos 18 anos, Jorg luta agora por manter o seu reino, e prepara-se para enfrentar o inimigo poderoso que avança em direção ao seu castelo. 
Jorg sempre conquistou os seus objetivos matando, mutilando e destruindo sem hesitar, e agora não pretende vencer a batalha de forma justa, mas sim recorrendo aos mais terríveis segredos.»

O autor
Mark Lawrence um escritor britânico, casado, pai de quatro filhos e, além de romancista, é também investigador no campo da inteligência artificial, tendo já colaborado com os governos norte-americano e britânico.
Estreou-se na escrita com Príncipe dos Espinhos, em 2011, também publicado pela Topseller. Esta obra foi finalista dos prémios Goodreads Choice Award, na categoria de Melhor Livro Fantástico 2011, entre outras importantes nomeações.
Traduzido em mais de 20 línguas, Mark Lawrence é ainda autor de outras séries bestseller como The Red Queen’s War. Saiba mais sobre o autor em www.marklawrence.buzz.

Saiba mais sobre o livro aqui.

Pode ler a opinião do blogue ao primeiro livro da saga aqui.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Novidade Topseller: "O Fugitivo" de Mason Cross


Nº de páginas: 384
PVP: 19,99€
Lançamento: 6 de Fevereiro

Depois da publicação de O Caçador e O Samaritano, O Fugitivo completa a série Carter Blake.

Sinopse
«Ele era um deles… Agora, é um alvo a abater.
Há cinco anos, Carter Blake abandonou a organização secreta governamental para a qual trabalhava, a Winterlong, com uma condição: ele prometia não divulgar o tipo de operações duvidosas que realizavam e em troca deixavam-no viver em paz. Mas a liderança da Winterlong mudou e agora eles querem-no fora de cena, de vez.
Alheio a este facto, Blake, que passou a dedicar-se a encontrar pessoas que não querem ser encontradas, aceita um novo serviço: procurar Scott Bryant, que roubou à empresa de software onde trabalha um programa que promete revolucionar as redes sociais. A missão não é das mais difíceis e Blake descobre rapidamente o paradeiro do ladrão desaparecido.
Quando se prepara para trazer Bryant de volta, juntamente com o software roubado, Blake recebe uma mensagem misteriosa, que o leva a concluir que a sua antiga organização anda atrás dele. É então que Blake passa de caçador a presa e tudo muda. Restam-lhe duas opções: fugir para sempre ou virar o jogo a seu favor e acabar de vez com a Winterlong. O confronto com o passado é inevitável, mas conseguirá ele sobreviver?»

A crítica
​«Alucinante! A não perder.» - Daily Mail

«Um thriller de tirar o fôlego.» - Morning Star

O autor
Nasceu em Glasgow, na Escócia, em 1979. Licenciou-se em Línguas e fez uma pós-graduação em Tecnologias de Informação, o que lhe permitiu descobrir que tem muito mais êxito com as palavras do que com os computadores.
Sempre se dedicou à escrita, sendo autor de um número considerável de contos policiais, incluindo A Living, que foi finalista do prémio Quick Reads «Get Britain Reading».
Saiba mais em www.masoncross.net

As primeiras páginas estão disponíveis para leitura aqui.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Novidade Saída de Emergência: "Terrarium" de João Barreiros e Luís Filipe Silva


Género: Literatura Fantástica
Nº de páginas: 568 
PVP: 18,80 € 
Data de Lançamento: 27 de janeiro de 2017


BEM-VINDOS AO FUTURO E AO COLAPSO DE TODAS AS UTOPIAS POR NÓS SONHADAS.

Sinopse
«Estamos a meio do novo milénio e a Fortaleza Europa acabou de vez. Bruxelas não é mais do que uma cratera radioactiva, as zonas costeiras foram alagadas pela subida das águas e a temperatura ambiente aqueceu até o clima ser quase tropical. Quem olhar para o alto, nos raros dias onde ainda se podem ver as estrelas, vai descobrir um anel gigantesco composto pelas carcaças das naves de exóticos migrantes. Mas isso não é o pior. A verdade é que entre esses exóticos que nos vieram pedir guarida, existem criaturas ainda mais monstruosas que resolveram transformar o planeta num lugar de consumo: num TERRARIUM, a bem dizer… Preparem-se para viver num mundo prestes a ser assimilado, para o bem ou para o mal, numa nova e efémera Utopia… Agora só nos resta resistir.»

Os autores
JOÃO BARREIROS é licenciado em Filosofia e ex-professor do ensino Secundário, tendo nascido a 31 de Julho de 1952. Participou na feitura do Grande Ciclo do Filme de FC de 1984 patrocinado pela Cinemateca Portuguesa e Fundação Gulbenkian, e dirigiu duas efémeras colecções para as Editoras Gradiva (Col. Contacto) e Clássica (Col. Limites). É autor de Terrarium (edição de 1996, com Luís Filipe Silva), O Caçador de Brinquedos e Outras Histórias, A Verdadeira Invasão dos Marcianos, as novelas Disney No Céu entre os Dumbos e A Bondade dos Estranhos e a monumental colectânea de contos Se Acordar antes de Morrer. Participou nas antologias organizadas pela Saída de Emergência, Os Anos de Ouro da Pulp Fiction Portuguesa e A Sombra sobre Lisboa, até acabar por organizar, para a mesma editora, a antologia de retrofuturismo, Lisboa no Ano 2000.
LUÍS FILIPE SILVA é autor de O Futuro à Janela (Prémio Caminho de Ficção Científica), Terrarium (edição de 1996, com João Barreiros), além de vários contos, críticas e artigos em publicações portuguesas, brasileiras e internacionais. Como antologista, organizou Vaporpunk - Relatos Steampunk Publicados sob as Ordens de Suas Majestades (com Gerson Lodi-Ribeiro) e Os Anos de Ouro da Pulp Fiction Portuguesa (com Luís Corte Real). A GalxMente foi o seu primeiro romance, publicado inicialmente em dois volumes: «Cidade da Carne» e «Vinganças» (LeYa-Caminho, 1993).