quarta-feira, 22 de agosto de 2012

A Muralha De Gelo


Título Original: A Game of Thrones
Autor: George R. R. Martin
Nº de páginas: 416
Editora: Saída de Emergência
Colecção: Bang!

Sinopse
«Eddard Stark só aceitou o prestigiado cargo de Mão do Rei para proteger o rei... ou não suspeitasse que o anterior detentor desse título fora mandado assassinar pela rainha. Mas agora Eddard tem a certeza que foi ela. E também sabe a razão: a rainha tem um segredo escabroso que pode levar à queda da dinastia e mesmo à guerra civil!E como se a conspiração palaciana não bastasse, tudo piora quando o rei Robert Baratheon é ferido mortalmente por um animal numa caçada. Mas a Mão do Rei já desconfia de tudo: terá sido mesmo um animal... ou o trabalho de mais um assassino da rainha? Um homem honrado e justo, Eddard Stark começa a temer ser derrotado pelo ninho de víboras que é a Corte e a Casa Lannister. Mas a ameaça de guerra civil não é a pior sombra que paira no ar. No norte, para lá da muralha de gelo, uma força misteriosa manifesta-se de maneira sobrenatural. E ainda mais longe, a última herdeira dos Targaryen prepara-se para invadir os Sete Reinos com o maior exército alguma vez visto... e com o auxílio de dragões!»

Opinião
Ficou claro em A Guerra dos Tronos que um conflito de grandes dimensões estava cada vez mais perto de surgir. Todas as desavenças entre as diferentes Casas dos Sete Reinos travadas no passado e aquelas que silenciosamente se travam no presente não deixam margem para uma solução pacífica. Torna-se cada vez mais difícil saber no que confiar e a quem confiar. Quem são os amigos que escondem a sua verdadeira vontade de triunfar, ou quem serão os inimigos que poderão ter algo de bom a oferecer? As dúvidas são pertinentes e constantes, e só a guerra saberá como desvendá-las.

Neste segundo volume, que na verdade faz parte da segunda metade da edição original de A Guerra dos Tronos, assiste-se ao início da verdadeira guerra. O clima que se instala em cada recanto do reino profetiza violência e sangue, e é cada vez mais sombrio. Se, por um lado, acontece aquilo que é inevitável, não sendo por isso menos surpreendente, também aquilo que seria impensável, verdadeiramente impensável na introdução de uma saga composta por tantos volumes como esta, acaba por acontecer. Estes momentos tornam a obra de Martin aliciante e igualmente revoltante, demonstrando como a verdade pode ser dura e crua, mas que é importante saber aceitá-la e seguir em frente.

Nota-se uma forte evolução em praticamente todas as personagens. Nelas revê-se um espírito mais seguro e forte dado a situação que enfrentam. As personagens mais jovens, nomeadamente Arya, Jon, Bran, Sansa e Robb, começam a revelar um nível de maturidade que ultrapassa o que deveriam apresentar na sua idade. Sendo filhos de Eddard e Catelyn Stark, os seus valores nada escapam à justiça e lealdade que lhes foram ensinadas, e no entanto esses ensinamentos de nada servem no que toca a vencer uma batalha na qual a principal arma é a corrupção, como os factos deste livro comprovam. Ainda assim, Daenerys foi a personagem que mais surpreendeu devido ao seu crescimento repentino e instinto de liderança que assumiu. A criança que nela existia cede lugar a uma mulher decidida, astuta e ciente do seu lugar. Quanto à outra personagem fortemente patente, o anão Tyrion, agradou-me a sua perspicácia já de si característica. Esta é daquelas figuras que sabemos onde pertence o seu sangue mas não onde pertence o seu coração. Apesar de pertencer a uma grandiosa Casa, a sua diferença faz com que, em determinados momentos, haja a dúvida em saber que lado contará com o seu apoio. Penso que Martin ainda terá muito a explorar com esta personagem.

Apenas com estes dois volumes o leitor percebe que a escrita de Martin não se assemelha em nada ao que habitualmente se vê dentro ou fora deste género. Cuidadosamente trabalhada e ainda assim constantemente desafiadora, o autor não deixa espaço para interiorizar os acontecimentos numa narrativa que é imparável, frenética e apelativa. Sucessivamente são apresentadas respostas a questões que antes aparentavam ser importantes mas que de facto no momento perdem a sua importância perante novas questões. Todo este mecanismo mantém o mistério que é fundamental ao longo da história.

De destacar ainda os laivos de fantástico que começam a surgir no final deste volume. É algo que estou verdadeiramente curioso para conhecer em próximas obras, pois na verdade aparenta ser um factor que se tornará fulcral no futuro.

A Muralha de Gelo retrata as duras realidades que se enfrentaram e as que se enfrentam, e introduz ainda parciais ideias do que haverá para enfrentar no futuro quando a grande guerra rebentar. É pronunciada a certeza de que o povo dos Sete Reinos não avistará tão depressa a tão desejada paz. De facto, O Inverno está a chegar.

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