quarta-feira, 28 de agosto de 2013

O Senhor dos Anéis - A Irmandade do Anel


Título Original: The Lord of The Rings – The Fellowship of The Ring
Autor: J. R. R. Tolkien
Nº de páginas: 468
Editora: Publicações Europa-América
Colecção: Obras de J. R. R. Tolkien

Sinopse
«Em apreciação crítica à obra de Tolkien cuja edição portuguesa apresentamos, o Sunday Times escrevia que o mundo da língua inglesa se encontra dividido em duas partes: a daqueles que já leram "O Senhor dos Anéis" e a daqueles que o vão ler.
Não se enganava o crítico ao indicar assim que estamos perante uma obra de leitura obrigatória, que, sem qualquer sombra de exagero, se insere entre as mais notáveis criações literárias do nosso século. Situando-se na linha da criação fantástica em que a literatura inglesa é fértil (lembremos Lewis Carrol com a sua "Alice no País das Maravilhas"), Tolkien oferece-nos uma obra verdadeiramente monumental, onde todo o mundo é criado de raiz, uma nova cosmogonia arquitectada por inteiro, uma irrupção de maravilhoso que é admirável jogo de criação pura. O sopro genial que perpassa na elaboração deste maravilhoso, traduzido sobretudo no realismo da narração, deixa no leitor o desejo irresistível de conhecer «esse» mundo que, como crianças, chegamos a acreditar que existe.
"A Irmandade do Anel" é o primeiro volume da trilogia "O Senhor dos Anéis", em que se integram também "As Duas Torres" e "O Regresso do Rei".»

Opinião
É na tranquilidade do Shire que se inicia esta esplêndida história. Passados cerca de sessenta anos desde os eventos relatados em O Hobbit, Bilbo permanece no Fundo do Saco, o seu doce lar que agora partilha com o seu primo Frodo, muito mais jovem que ele. Após o regresso da sua longa viagem, o pequeno hobbit ganhou fama em todos os cantos de Hobbiton como um homem aventureiro, afortunado, mas principalmente um tresloucado hospedeiro que dá as boas-vindas a estranhas criaturas vindas de regiões distantes. Porém, o fulgor de Bilbo de outros tempos desvaneceu-se, e a falta de acontecimentos emocionantes coloca em risco a plenitude do seu espírito. Mal sabia Bilbo os desígnios que um futuro muito próximo traria àquele pequeno local e, sobretudo, àquela pequena gente.

Bilbo não é, contudo, o centro desta narrativa. Aliás, acho que neste primeiro volume ninguém o é, sendo todos igualmente importantes. O facto é que Tolkien nos situa num mundo completamente novo, que se apresenta tão diverso e único, rico em pormenores relacionados com diferentes povos e os seus costumes. Toda esta impulsão de ideias é de tal maneira avassaladora que não nos é permitido focar apenas numa personagem já que cada uma é detentora das suas próprias características especiais que a tornam interessante. Hobbits, elfos, anões, feiticeiros e guerreiros homens são apenas uma parte do que constitui a variedade dos intervenientes da trama, e em cada grupo há aqueles que mais se destacam a mostrar a faceta das suas origens. Relativamente aos hobbits, Frodo é o que primeiramente aparece, aquele que irá deter o papel crucial na viagem. Ao seu lado está Sam, um fiel e corajoso companheiro, e ainda se juntam ao grupo os tolos, mas sempre dispostos, Merry e Peregrin Took. Na viagem que empreendem para fora do Shire devido à necessidade que se deparou diante deles, os quatro amigos levam o apoio do sábio e poderoso feiticeiro Gandalf. Este é das personagens que nem sempre está presente mas que prende sempre a nossa atenção nos seus momentos de intervenção. É uma figura deveras interessante e cativante, sobre a qual desejamos conhecer muito mais. A determinada altura entram em cena o bravo caminhante Aragorn, o orgulhoso anão Gimli cheio de garra e humor, o formoso elfo Legolas e ainda Boromir, cavaleiro de Gondor. Juntos formam a Irmandade do Anel, que na sua arriscada missão deparam-se com perigos e provações incalculáveis, revelando-se o caminho muito mais sinuoso do que antes tinham imaginado ser possível.

Embora todas as personagens sejam fascinantes, estas são apenas uma parte da riqueza desta obra. Mais uma vez, em O Senhor dos Anéis o autor cria um universo exclusivo, fruto da sua inesgotável imaginação. A Terra Média é o cenário da acção, e dentro dela existem dezenas de locais e povoações distintos, cada um com a sua própria designação e caracterização. Entre os vários panoramas que nos são oferecidos, os que mais me seduziram foram Rivendell, a casa de Elrond, e as florestas de Lothlórien, a morada da soberba Galadriel. Enquanto a Irmandade viaja entre um ponto e outro, nós viajamos e presenciamos também a luz e a escuridão, o frio e o calor, a alegria e o temor, quase como se fizéssemos parte do séquito e déssemos as nossas próprias passadas em terras reais.

É necessário dizer que a escrita de Tolkien não apresenta um ritmo constante. Tão depressa podemos encontrar-nos numa batalha ou numa fuga como a divagar por um monte cheio de pormenores por esmiuçar. Portanto, há momentos em que a leitura é fugaz e outros em que se demora um pouco mais em descrições. Neste último aspecto, um bom sentido de orientação é uma vantagem para compreender a disposição dos vários espaços da Terra Média e formar mentalmente um mapa que ajude a localizar onde a acção se desenrola em determinado instante.

De destacar ainda o apêndice elaborado pelo autor que aprofunda o conhecimento sobre circunstâncias que ficam melhor explícitas, como a origem dos hobbits e a sua propagação pelo Shire ao longo das eras, contendo esse extra ainda uma nota fundamental para quem não tenha lido O Hobbit compreender como Bilbo encontrou o Anel Um e desencandeou a interferência dos pequenos hobbits nesta missão.

Com o terminar desta primeira parte adquire-se informação essencial para compreender a história do anel, que é, indiscutivelmente, o mote à volta do qual gira a trama. Além disso, temos um vislumbre do passado de Gollum, criatura que muito em breve se apresentará como personagem. No entanto, aquilo que é difundido neste livro é muito pouco para ter noção da totalidade da história desde que esta se prendeu em tempos remotos até chegar à Terceira Era. Será, certamente, assunto patente na Parte Dois e Parte Três que com muito prazer irei desvendar. Certo é também que o futuro do Anel e do seu portador se avizinha muito mas negro e os planos da Irmandade mais susceptíveis de serem frustrados.

Tolkien inicia, assim, a épica trilogia que fez de si um dos grandes mestres da fantasia. Os dados estão lançados e qualquer passo em falso pode comprometer toda a missão. O perigo  é imenso, mas também o é a coragem destes heróis. Deles depende a guerra ou a paz. Só eles poderão determinar qual delas se concretizará.

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