sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Harry Potter E O Cálice de Fogo



Título original: Harry Potter and the Goblet of Fire
Autora: J. K. Rowling
Nº de páginas: 592
Editora: Editorial Presença
Colecção: Estrela do Mar

Sinopse
«Harry Potter nem quer acreditar na sua sorte! Afinal não vai ter de aturar os Dursleys até ao início do seu quarto ano em Hogwarts. Graças à taça Mundial de Quidditch vai passar os últimos quinze dias de férias na companhia dos Weasleys e do seu amigo Ron. Mas a verdade é que nem tudo vai correr pelo melhor para o nosso herói. Quando Harry começa a sentir a sua cicatriz a doer terrivelmente, sabe que Lord Voldemort está de novo a rondá-lo e a ganhar poder. A marca da morte, que apareceu no céu, não pode significar outra coisa... Entretanto, este é um ano muito especial para Hogwarts, pois é lá que se irá realizar o célebre Torneio dos Três Feiticeiros, no qual Harry vai desempenhar um papel decisivo e que quase lhe irá custar a vida!! Pela segunda vez, Potter vê-se frente a frente com Voldemort, e ele sabe que o maior desejo do poderoso senhor das trevas é vê-lo morto...»

Opinião

Já familiarizado com o mundo da magia, Harry sabe que tudo pode acontecer, desde surpresas maravilhosas a contratempos inevitáveis. Mas se até aqui o que aconteceu parecera alucinante, Harry bem pode preparar-se para o que este quarto ano em Hogwarts lhe reserva. Mais uma vez, terá a seu lado Ron e Hermione, bem como outros amigos dispostos a ajudá-lo. No entanto, também entre os amigos surgem os inimigos, e até naqueles que se pensam ser de confiança crescem sorrateiramente traidores. Mais do que nunca será preciso o máximo de cuidado para fugir às armadilhas que se concebem nas sombras. Caso contrário, a segurança de Harry estará presa por um ténue fio que qualquer ameaça facilmente quebrará.

Em O Cálice de Fogo, a densidade dos acontecimentos é de tal modo exponencial que nem existe tempo para pausas na narrativa. Desde o primeiro capítulo ficamos capturados e contagiados pelo ritmo frenético com que sucede a acção. Uma cena pouco explícita envolta em mistério aliada a um evento de Quidditch que só a mente fértil de Rowling consegue idealizar constituem uma introdução fantástica e deveras impulsionadora desta obra. E logo nesta fase, o perigo apresenta-se e deixa o aviso de que os tempos futuros não serão pacíficos. 

Com a chegada a Hogwarts ficamos ainda mais assoberbados com as notícias que Dumbledore transmite. Neste ano realiza-se nos campos da escola um evento lendário: o Torneio dos Três Feiticeiros. A partir desta ideia, Rowling traz um novo conceito anteriormente inexplorado - a multiculturalidade no mundo da magia. De vários recantos do mundo chegam a Hogwarts alunos para participarem no torneio. Com eles, trazem as suas singularidades e tradições, diferentes das que já conhecemos neste universo, deixando clara a diversidade existente entre a população mágica. Porém, a autora não se serve deste torneio exclusivamente para dar a conhecer novas caras. A concepção de um torneio desta natureza constitui um desafio à imaginação de qualquer um. Rowling mostra estar à altura e nunca desaponta, antes elaborando um conjunto de provas, três no total, únicas e verdadeiramente arriscadas para os seus participantes. São adicionados novos elementos e detalhes mágicos que deslumbram quem lê e conferem uma dinâmica constante que prende toda a atenção. 

Relativamente à vertente das personagens, há novo conteúdo já como é habitual de volume para volume. Os concorrentes do torneio que representam cada escola de magia trazem um brilho especial à história, apesar de não serem muito participativos. É com eles que os três protagonistas começam a nutrir as primeiras paixões da adolescência, despoletando sentimentos de amor e ódio que conferem um certo humor à leitura, permitindo aliviar a tensão dramática dos acontecimentos. Não obstante, surge Rita Skeeter, uma mulher fria, irritante e "odiosa", como o diria a própria Hermione. Faminta por boatos e assuntos que não lhe dizem respeito, é engraçado ver como se delineia o destino de Skeeter. Mas é com Alastor Moody, o Olho-Louco, que ficamos curiosos e surpreendidos. Este é o novo professor de Defesa Contra as Artes das Trevas, um homem, como a própria designação indica, tresloucado, irreverente e inquebrável. Depressa consegue captar a atenção de Harry, envolvendo-se amigavelmente com este. O seu propósito é aparentemente inquestionável, mas esta personagem esconde muitos segredos que só no fim se revelam, segredos esses que são, na verdade, surpreendentes. Quanto a Harry, o mesmo é o que continua a ter mais destaque, embora o seu desenvolvimento enquanto personagem acabe por não ser substancial. O mesmo se pode dizer de Hermione e de Ron, personagens que no livro anterior cresceram imenso mas que neste esporadicamente têm um momento relevante. O facto é que este livro está repleto de toda uma quantidade de novidades e de uma imensidão de informações. Assim, a história acaba por ser explorada em detrimento das suas personagens, o que é fundamental para a compreender.

Mais uma vez, é com o final que o leitor fica embasbacado. Até aí, tinha-se assistido a um gradual aparecimento de mistérios que não tinham solução e de pistas impossíveis de decifrar. Mas o culminar do livro torna tudo finalmente claro com uma bomba de revelações impensáveis e acutilantes. A história apresenta-se mais complexa do que antes se idealizara, e apesar de algumas questões ficarem resolvidas, muitas mais ficam por resolver. Além disso, enquanto que os livros anteriores terminavam com alegria, neste o sentimento é bem diferente.  Harry ficou consciente de que viveu o ano mais negro da sua vida e está igualmente consciente de que os perigos ainda agora começaram, sejam para si ou para os que o rodeiam. Resta saber se o mundo da feitiçaria estará pronto para aceitar a dura verdade e enfrentá-la sabiamente. Pelo menos, Harry tentará e felizmente não está sozinho nessa tarefa.

Este é, portanto, um livro intenso, recheado de sentimentos e preciosidades de um mundo único e magnífico. Basta iniciar-se nesta leitura para perceber como é aliciante e impossível de resistir. É um fenómeno, uma obra-prima, qualquer coisa que chega a tocar na perfeição no modo como se conta uma história. Indubitavelmente, Rowling enfeitiça-nos com o encanto das suas palavras.

1 comentários:

Fanzine Episódio Cultural disse...

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