sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Harry Potter E Os Talismãs da Morte



Título original: Harry Potter and the Deathly Hallows
Autora: J.K. Rowling
Nº de páginas: 608
Editora: Editorial Presença
Colecção: Estrela do Mar

Sinopse
«É neste sétimo volume que Harry Potter irá travar a mais negra e perigosa batalha da sua vida. Dumbledore reservou-lhe uma missão quase impossível – encontrar e destruir os Horcruxes de Voldemort… Nunca, em toda a sua longa série de aventuras, o jovem feiticeiro mais famoso do mundo se sentiu tão só e perante um futuro tão sombrio. Chegou o momento do confronto final – Harry Potter e Lord Voldemort… nenhum pode viver enquanto o outro sobreviver… um dos dois está prestes a acabar para sempre… Os seus destinos estão misteriosamente entrelaçados, mas apenas um sobreviverá... Numa atmosfera apoteótica e vibrante, Rowling desvenda-nos, por fim, os segredos mais bem guardados do universo fantástico de Harry Potter e deixa-nos envoltos, talvez para sempre, na sua poderosa magia. Este sétimo volume tem sido considerado pelo público e pela crítica como o melhor de toda a série Harry Potter.»

Opinião
Este é o último capítulo de uma saga única na história da fantasia. O feiticeiro mais famoso do mundo termina aqui o seu percurso. Nunca pensou a autora que a história de um rapazinho de onze anos atingisse tal sucesso. Desde A Pedra Filosofal que Harry Potter conquistou fãs de todas as idades por todo o globo. Não havia comparação possível ao fenómeno mais aliciante de todos os tempos. Muitos livros foram escritos e o final era aguardado com elevadas expectativas. A pressão sobre J.K. Rowling era maior que nunca. Mas o que era um inocente estudante de Hogwarts passou a ser rival do pior feiticeiro das trevas que o mundo mágico conheceu. Por isso, esperar um final feliz, sem batalhas nem perdas, é completa ilusão.

No seguimento da maior emoção presenciada em toda a saga, o melhor é mesmo por de parte os nossos sentimentos enquanto lemos este volume. Dada a complexidade da tarefa atribuída a Harry por parte de Dumbledore, a mesma não será realizada de ânimos leves. Harry, Hermione e Ron enfrentam uma ameaça tenebrosa. Para encontrarem os Horcruxes e os destruírem terão de percorrer lugares sombrios outrora esquecidos, tendo o máximo de cuidado para não serem descobertos pois todos os lugares estão vigiados. A escuridão apoderou-se da sociedade e confiar em alguém é um erro fatal. As suas vidas estão constantemente em jogo. O risco é incalculável. Ainda assim, enquanto o bem sobreviver, nada será em vão.

Ao iniciar a leitura das primeiras páginas rapidamente afastei a ideia de que este livro seria para descontrair a mente. Pelo contrário, a ansiedade tomou conta de mim durante durante toda a leitura. Tudo me pareceu de uma realidade extrema. Envolvi-me de tal modo na vivência das personagens e senti tão fortemente as suas emoções que parar era impensável. Além disso, ajudou o facto de não haver pausas, sendo o ritmo pautado por acção constante e por mistérios que aparecem sucessivamente, uns que remetem a passados longínquos onde se procuram pistas relevantes, outros que se criam e se desvendam aos poucos, sendo todos eles importantes para o desenrolar da história.

As personagens estão mais definidas do que nunca. Neste livro, isso só se traduz num aspecto: ou pertencem ao bem ou pertencem ao mal. E é aqui que Rowling vira tudo do avesso, nomeadamente no que toca a uma personagem em particular. A aparente incontornável imagem que temos dela, construída desde o princípio,  dissipa-se completamente para dar lugar a um total novo ponto de vista. Com esta revelação, que só ocorre perto do final, ficamos boquiabertos e extremamente confundidos. Somos forçados a rever tudo o que ficou para trás, e depois de encaixar perfeitamente todas as peças no devido lugar, finalmente apercebemo-nos como tudo faz sentido e nada foi deixado ao acaso. Só uma mente tão brilhante como a de Rowling consegue conceber uma história em sete volumes e entrelaçá-la de uma maneira tão magistral, permitindo surpresas destas quando o fim está tão próximo. Quanto a Dumbledore, desmistifica-se a sua vida antes de ser tornar Director de Hogwarts. São revelações muito bem conseguidas que chegam a ser tocantes. É importante referir que não são meras notas, mas antes informações cruciais para esclarecer determinadas lacunas ainda existentes. No que toca a Harry, Ron e Hermione, a sua amizade é testada até ao limite. Os desafios que confrontam juntos e até as os conflitos que surgem entre eles são provações incalculáveis que, ao serem ultrapassadas, mostram quão forte e genuíno é o laço que os une. Harry é o que se defronta com mais sobressaltos. Entende finalmente o significado da profecia e a razão de ser O Rapaz Que Sobreviveu, tendo que lidar com todas as implicações que daí vêm. As decisões que deve tomar não são nada fáceis, porém a sua escolha evidencia não só a sua enorme coragem, bem como a bondade que lhe é inata. O seu destino é a maior preocupação do leitor e mesmo até aos momentos finais não se consegue vislumbrar qual será o desfecho desta grande personagem.

Achei que os Talismãs da Morte mencionados no título foram um contributo fascinante para o livro. Para além de trazerem um certo misticismo, ainda desempenham um papel importante em dois momentos decisivos. Isto mostra quão fundo Rowling foi na criação deste mundo ao ponto de criar histórias dentro de histórias e ser capaz de conjugá-las na perfeição, sem que haja a mínima falha.

Sendo esta uma aventura que acontece fora de Hogwarts, na sua maioria, a autora conduziu-nos por novos cenários deslumbrantes onde o perigo é eminente. Também voltamos a alguns locais já familiares, contudo essa sensação de perigo confere-lhes uma perspectiva completamente nova.

Quando, por fim, se regressa a Hogwarts, é perceptível a transformação que a escola sofreu durante o período de ausência. A sombra de Voldemort propagou-se a cada canto e o seu domínio é supremo. No entanto, há sempre um rasto de luz que se mantém oculto à espera do momento oportuno. E assim que a luz se afirma perante as trevas, dá-se o início da luta. A batalha final é colossal, envolvendo não só feiticeiros mas também criaturas mágicas de todo o tipo. Os encantamentos e as maldições voam das pontas das varinhas como uma frenética explosão de artilharia, não sendo possível saber de quem vieram e quem pretendem atingir. Há perdas dolorosas que apelam às nossas emoções, momentos inesquecíveis de bravura, mas é o derradeiro final que constitui o acontecimento épico. Nele fica provado que na luta entre o bem e o mal, o bem acaba sempre por superar pois detém um trunfo que é inconcebível por qualquer arte mágica: o poder de ser capaz de amar.

Como é evidente, fiquei desolado por ser o fim. O universo de Harry Potter acompanhou-me durante muito tempo que, ainda assim, passou rapidamente. As personagens deste mundo tornaram-se personalidades especiais na minha vida. Com elas aprendi o verdadeiro valor da amizade, um dos mais bonitos sentimentos que um ser humano pode experimentar. Sentirei muita falta dos três amigos. Fiquei marcado pela coragem de Harry, pelo bom humor de Ron, pela perspicácia de Hermione e por infinitas outras coisas verdadeiramente mágicas. Desejaria que houvesse novas aventuras, mas é precisamente esta sensação de querer mais que demonstra o brilhantismo desta saga. Insaciável, intocável e inesquecível. 

Os maiores heróis do fantástico viverão para sempre na minha memória.

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