domingo, 28 de agosto de 2011

Amanhecer



Título original: Breaking Dawn
Autora: Stephenie Meyer
Nº de páginas: 753
Editora: Gailivro
Colecção: 1001 Mundos

Sinopse
«Para Bella Swan, o amor inelutável por um vampiro enreda-se, de um modo fantástico e terrível, com a realidade perigosamente opressiva. Impelida, num sentido, pela sua paixão intensa por Edward Cullen e, no outro, pela ligação profunda ao lobisomem Jacob Black, Bella enfrentara um ano tumultuoso de tentações, perdas e conflitos que a irá colocar perante um momento final e decisivo. A escolha eminente entre ingressar num mundo tenebroso mas sedutor dos imortais, ou prosseguir uma existência inteiramente humana é o fio do qual se suspendem os destinos dos dois clãs.

Agora que Bella já tomou uma decisão, uma cadeia perturbante de acontecimentos sem precedentes está prestes a desenrolar-se, antevendo efeitos potencialmente devastadores e incomensuráveis. Quando os fragmentos corroídos da sua vida - inicialmente desvendada em "Crepúsculo", e, depois, estilhaçada e dilacerada em "Lua Nova" e "Eclipse" - parecem prestes a sarar e a unir-se num todo, será que irão terminar destruídos... Para sempre?»

Opinião
Embarquei nesta leitura como quem se atreve a viajar rumo ao paraíso. Estava muito ansioso, embora relutante ao que poderia acontecer no final desta saga que me surpreendeu de diversos modos ao longo dos seus volumes. Pensei que, dada a dimensão deste final, muito iria acontecer e assim muito iria mudar no destino das personagens.

E, sem grandes demoras, nos primeiros capítulos isso mesmo acontece. Ora pois essa reviravolta, que nem o leitor nem os protagonistas aguardavam, transforma um calmo ambiente de festa num momento de pânico. Tem começo uma nova preocupação que solicita a atenção e delicados cuidados por parte dos próximos de Bella e Edward, que de súbito se apercebem que estão numa situação crítica da sua relação, manifestando pela primeira vez o verdadeiro perigo de um amor entre uma humana e um vampiro.

A instabilidade presenciada até este ponto elucida-se num possível rompimento de laços outrora muito fortes, que se vão tornando cada vez mais susceptíveis. Não só com Edward, mas também com as restantes personagens que não perdem a sua importância, como o pai e a mãe de Bella e o seu grande amigo, o confidente Jacob.

Aliás, Jacob é aquele que mais se evidencia como a vítima de tal possível quebra. A escolha da autora ao dividir este livro sob o ponto de vista de duas das personagens, Bella e Jacob, que na minha opinião não é nada que mereça aprazimento, reflecte o perfil de alguém cuja confiança foi distanciada e que embora permaneça alguém especial na vida de Bella, se sente rebaixado com o desprezo que lhe é dado. Os "livros" de Jacob expõem demasiado o outro clã (o grupo dos lobisomens) e demonstra, por vezes, um exagero dos seus sentimentos quando aquilo que devia importar seria o estado de Bella e não a história de uma alcateia de membros molestos que retiram à acção principal o seu destaque.

Excluindo este ponto negativo, os acontecimentos continuam a ser relatados de uma forma agradável, talvez até um pouco tranquilos demais, mas que ditam os pensamentos finais da narradora sob a sua condição de mortal.

Nessa transição existe o suspense que eu já esperava e que me cativou mais do que alguma coisa no livro, o que eu lamento que não tenha acontecido mais vezes. O momento alto da narrativa encontra-se aqui, sendo o que se encontra depois um claro forçamento para abrandar o derradeiro fim da saga já que a acção se prende no mesmo local sem a dinâmica necessária para a tornar menos monótona.

O tão aguardado final deixou-me um quanto desapontado pois esperava muito mais espírito paranormal investido em acção, como já foi visto em Eclipse, e o que disso se conseguiu notar foi insuficiente para o final que a saga merecia ter.

Justo e feliz para os protagonistas, embora demasiado pacífico, o término da saga Luz e Escuridão desencadeou em mim uma certa ternura, um contentamento por ver chegar ao fim uma história de um amor diferente, emblemático e cativante, que me para além de me oferecer muitas páginas de leitura com imensas descrições e diálogos, também me deu a oportunidade de visitar um universo encantador habitado por personagens igualmente fascinantes.
    

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Eclipse



Título original: Eclipse
Autora: Stephenie Meyer
Nº de páginas: 608
Editora: Gailivro
Colecção: 1001 Mundos

Sinopse
«Ao mesmo tempo que Seattle é assolada por uma série de mortes inexplicáveis e um malicioso vampiro continua a sua busca por vingança, mais uma vez Bella encontra-se rodeada por perigo em Eclipse, o terceiro volume da saga de «Twilight». No centro de tudo, ela é forçada a escolher entre o seu amor por Edward e a sua amizade com Jacob, sabendo que a sua decisão poderá atiçar a luta intemporal entre vampiro e lobisomem. Com o final do liceu a aproximar-se rapidamente, Bella tem mais uma decisão a tomar: vida ou morte. Mas, qual é qual?»

Opinião
Depois de uma grande surpresa presenteada por Stephenie Meyer, surge Eclipse que eleva novamente as expectativas dos leitores. Pessoalmente, estava mesmo convencido que este seria mais um brilhante volume, repleto de acção e intrigas como o anterior que me causou um profundo impacto. Contudo, apesar de também ter apreciado Eclipse, fiquei um tanto surpreendido com o que me deparei.

Com um começo banal, que não me despertou grande interesse, Eclipse não apresenta um desenvolvimento que eu esperaria. Não existe a dinâmica a que já estava habituado, nem aquele desejo que Stephenie Meyer me causava de querer mudar de página o mais rápido possível. Nesta continuação, existe uma faceta mais característica do romance do que do fantástico. Há mais descrições dos sentimentos do casal, mais diálogos intermináveis e irrelevantes que poderiam ser substituídos por um pouco mais de suspense, já que havia um vasto leque de escolhas que a autora poderia ter adoptado.

Em Eclipse, observamos um aprofundamento da história dos Cullen, a família de Edward, que até foi agradável de se ver desenrolar ao longo do livro. Detalhar o percurso de Jasper ou de Rosalie, por exemplo, foi importante para justificar os seus comportamentos face a Bella.

E já aqui começa a haver a confusão de Bella, a indecisão e imprecisão do seu amor que inesperadamente mudou de rumo. Jacob torna-se uma personagem mais importante, o que aumenta a intriga que eu tinha desejado no início do livro que compensa a pieguice desnecessária. Surge essa questão da divisão de Bella entre Edward e Jacob, que por momentos chegou a irritar-me (gostei dessa sensação, apesar de tudo), mas que tem a sua pausa no momento certo quando entra a verdadeira acção em cena. E embora isso só aconteça muito à frente, após algumas centenas de páginas, captou-me a atenção na íntegra e deu-me o impulso para continuar a ler os capítulos restantes. Gostei do ambiente descrito, da forma como Bella assumiu a sua posição durante a imprevisível batalha. A boa interferência de Jacob mudou a opinião que ostentava em relação a ele, e assim fiquei, de certo modo, mais aberto a aceitar o papel do seu grupo na história que certamente integrará o fim da saga.

Eclipse não é o auge da saga Luz e Escuridão. Está longe disso. No entanto, apresenta acontecimentos importantes e bem edificados que a pouco e pouco adensam o clima amoroso vivido entre os protagonistas.  É, portanto, uma sequela não tão forte como as anteriores, mas ainda assim uma boa opção para antecipar o final desta magnífica história sobrenatural.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Lua Nova



Título original: New Moon
Autora: Stephenie Meyer
Nº de páginas: 528
Editora: Gailivro
Colecção: 1001 Mundos

Sinopse
«Para Bella Swan, existe algo mais importante do que a própria vida: Edward Cullen. Porém, estar apaixonada por um vampiro é mais perigoso do que alguma vez ela poderia imaginar. Edward já salvou Bella das garras de um vampiro maléfico, mas agora, à medida que a sua destemida relação ameaça tudo o que se encontra por perto e todos os que lhes são queridos, eles apercebem-se de que os problemas podem estar apenas a começar...»

Opinião
Stephenie Meyer apanhou-me de surpresa em Crepúsculo e tornou-me um fã devoto da Saga Luz E Escuridão. Como tal, aguardava excelentes expectativas para este segundo volume. E, de facto, foi o que aconteceu.

O romance entre Bella e Edward continua, mas aqui de uma maneira diferente da anterior. Nos primeiros capítulos tudo corre bem, aliás, melhor que bem. A relação entre o vampiro e a humana intensifica-se, começa a haver uma aceitação por parte dos outros mas algo acontece que acaba com essa felicidade. Ocorreu um acidente que pôs em causa os limites de um relacionamento anormal que ninguém pode solucionar. E quando parece que a situação melhorou e se encontraram os suportes necessários para retomar a estabilidade, tudo se desmorona para Bella que terá de enfrentar sozinha longos e penosos meses de sofrimento.

O carácter deste livro é diferente de Crepúsculo, como já referi. Não se evidencia a perfeição do amor ou os seus aspectos positivos. Pelo contrário, discrimina em longos monólogos a maior devastação que se pode viver após a partida de alguém e a manifestação de sentimentos de culpa e fúria nesta dolorosa fase. Nisto a autora revela até demasiada mestria, causando um profundo impacto naquele que se entregar verdadeiramente às suas palavras, porém uma descrição lamentável e piegas a quem não esteja familiarizado com tanta sensibilidade.

Uma marca da qual gostei bastante foi a passagem dos meses em folha branca, nua, que é um ponto a favor tanto para os leitores mais insensíveis como para aqueles que vêm nessas páginas uma alma vazia. Até esse ponto, apenas existe a descrição da infelicidade de Bella. No entanto, a partir daí, nota-se uma certa vitalidade devido à nova companhia que Bella adquiriu para esquecer o que para trás ficou. Mais tarde, tal facto criará um dilema difícil de enfrentar, mas só quando se instala acção com uma determinada fracção de 
suspense na trama. Além de ser um ponto fundamental na obra, este desenrolar de acontecimentos foi muito bem conseguido pela autora que ao criar esse ambiente de incertezas trouxe ao livro um óptimo desenvolvimento.

Talvez se possa dizer que a escrita de Meyer se aperfeiçou um pouco nesta sequela, pois soube balancear o negativo e o positivo sem cair numa parcialidade para a perfeição do romance que foi necessária no livro anterior. E, mais uma vez, não excedeu o conteúdo paranormal e investiu, neste caso, nas advertências de uma relação paranormal. 

O final não podia ser mais evidente, mas ainda assim gostei da simplicidade demonstrada e do humor presente nas últimas deixas da protagonista. A recuperação do conforto deu-lhe de novo felicidade e é desse tipo de coisas que eu gosto no desfecho de um romance, apesar de este não ser o derradeiro fim. 

Isto foi o bastante para me provocar mais expectativas relativamente ao próximo volume, que apesar de eu acreditar que será bom, tenho as minhas dúvidas se será igualmente tão bom a este que tanto me agradou e tanto me surpreendeu.